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IPCA-15 sobe mais que o esperado em setembro sob pressão de energia; alimentos voltam a avançar

IPCA-15 sobe mais que o esperado em setembro sob pressão de energia; alimentos voltam a avançar

Reuters

25/09/2026

Placeholder - loading - Torres de transmissão de energia elétrica sobre uma fazenda de café em Santo Antônio do Jardim  6 de fevereiro de 2014.   REUTERS/Paulo Whitaker (BRASIL - Tags: ENERGIA)
Torres de transmissão de energia elétrica sobre uma fazenda de café em Santo Antônio do Jardim 6 de fevereiro de 2014. REUTERS/Paulo Whitaker (BRASIL - Tags: ENERGIA)

Atualizada em  25/09/2026

Por Camila Moreira

SÃO PAULO, 25 Set (Reuters) - O IPCA-15 subiu mais do que ​o esperado em setembro sob pressão da energia elétrica, passados os efeitos do bônus de Itaipu, e com os preços de alimentos voltando a avançar, o que levou a taxa em 12 meses a aproximar-se do teto da meta.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve alta de 0,70% em setembro, depois de recuar 0,40% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

Em 12 meses, o IPCA-15 passou a um avanço de 4,47% em setembro, de 4,24% no mês anterior. O objetivo para a inflação é de 3% medido pelo IPCA, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Os resultados do mês ficaram acima das expectativas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,53% na comparação mensal e de 4,30% em 12 meses.

Os dados mais fortes do que o esperado foram divulgados a poucos dias do primeiro turno da eleição presidencial, no dia ⁠4 de outubro. O ⁠IPCA fechado de setembro sairá no dia 9 de outubro, ​e o segundo ‌turno da eleição será no dia 25 do mesmo mês.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem tecnicamente empatados nas pesquisas eleitorais mais recentes.

ENERGIA

Os dados do IBGE mostram que em setembro a maior variação e o maior impacto de alta vieram do grupo Habitação, cujos custos subiram 2,07%. Isso porque a energia elétrica residencial teve alta de 7,42% em setembro, após queda ⁠de 6,25% em agosto, uma vez que saiu da conta o alívio proporcionado no mês passado pelo bônus de ​Itaipu --valor distribuído a milhões de consumidores residenciais e rurais todo ano após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia ​da usina hidrelétrica binacional no ano anterior.

Além disso, em setembro a bandeira tarifária da ‌energia elétrica no Brasil permaneceu amarela, ​o que ⁠representa um custo adicional de R$1,885 a cada 100 kWh consumidos.

O grupo Transportes apresentou avanço de 0,60% no mês com alta de 9,82% das passagens aéreas. Os combustíveis subiram 0,22%, com gás veicular (1,56%) e gasolina (0,30%) apresentando taxas positivas enquanto o óleo diesel (-0,78%) e o etanol (-0,22%) caíram.

Nas contas de Felipe Rodrigo de Oliveira, ​economista-chefe da MAG Investimentos, o resultado das passagens aéreas levou a alta de serviços a acelerar para 0,59% em setembro, de 0,07% em agosto, elevando a taxa em 12 meses para 6,00%, de 5,50%.

'A reaceleração do índice reflete tanto a devolução pontual de itens voláteis e administrados (energia elétrica e passagens aéreas) quanto uma dinâmica qualitativa ainda pressionada, evidenciada pela alta da média dos núcleos e pelo patamar elevado dos serviços acumulados em 12 meses', ​disse ele. 'O resultado reforça a cautela necessária em relação à convergência da inflação e valida a postura vigilante da política monetária.'

Já Alimentação e Bebidas deixou para trás a queda de 0,57% em agosto e passou a subir 0,40% em setembro. A alimentação no domicílio teve alta de 0,38%, após recuar 0,97% no mês anterior, com aumentos do tomate (20,76%), do arroz (2,39%) e das carnes (1,30%).

'A gente tem alertado tem algum tempo justamente para os riscos de preços dos alimentos mais pressionados nesse último trimestre do ano, e o que a gente vê agora com essa alimentação nos domicílios já em terreno positivo é justamente o fim dessa sazonalidade mais baixa', disse Júlio Barros, economista do Daycoval.

Na semana passada, o Banco Central cortou a taxa básica de ​juros Selic em 0,25 ponto percentual, a 13,75% ao ano, e deixou os próximos passos em aberto ao afirmar que o atual cenário de incerteza demanda ‌serenidade e cautela na condução da política monetária.

Na ata desse ⁠encontro, o BC defendeu a manutenção de nível restritivo dos juros básicos no país diante da pressão de demanda, ainda que se observe um arrefecimento em dados de atividade econômica, crédito e inflação.

Um mercado de trabalho ainda sólido e medidas de incentivo do governo favorecem o consumo, ficando ⁠no radar do BC, bem como a expectativa de um El Niño forte.

A projeção de analistas ⁠para a inflação neste ano subiu a 4,92% na última pesquisa ⁠Focus divulgada pelo Banco Central.

O IPCA-15 ⁠estima ​a variação de preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês de referência na comparação com o período imediatamente antecedente.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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