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IPCA sobe acima do esperado em setembro sob pressão de energia, transportes e alimentos

IPCA sobe acima do esperado em setembro sob pressão de energia, transportes e alimentos

Reuters

09/10/2026

Placeholder - loading - Pessoas circulam em shopping center em Brasília, Brasil, em 29 de novembro de 2023. REUTERS/Adriano Machado
Pessoas circulam em shopping center em Brasília, Brasil, em 29 de novembro de 2023. REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  09/10/2026

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO, 9 Out (Reuters) - A ​inflação ao consumidor no Brasil subiu mais do que o esperado em setembro, com alta de 0,82% sobre o mês anterior, impactada pelo avanço dos preços de energia, transportes e alimentos, mostraram dados do IBGE nesta sexta-feira.

Em 12 meses, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 4,58%, voltando a superar o teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, mostraram os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de alta de 0,73% do IPCA em setembro, acumulando em 12 meses aumento de 4,50%.

O avanço dos preços veio após o IPCA ter registrado em agosto a primeira deflação em um ano (-0,32%), refletindo ⁠principalmente uma ⁠forte queda nos custos de energia em decorrência ​da incorporação ‌do chamado Bônus de Itaipu -- valor distribuído a milhões de consumidores anualmente após apuração do saldo registrado na conta de comercialização da energia da usina hidrelétrica binacional no ano anterior.

Em setembro, além da saída das contas desse alívio, várias concessionárias de energia reajustaram para cima suas tarifas, e a bandeira amarela -- ⁠que incorpora uma tarifação adicional aos consumidores -- seguiu em vigor. No mês, os preços da ​energia elétrica residencial saltaram 7,98%, representando o principal impacto individual no índice (+0,32 ponto percentual).

Já o grupo de ​preços dos transportes registrou uma inflação de 0,89%, devolvendo a ‌deflação de 0,86% de agosto, ​refletindo altas ⁠em passagens aéreas (9,66%) e combustíveis (1,41%). O grupo alimentação e bebidas teve alta de 0,83%, após três meses consecutivos de queda de preços. Os dois grupos -- transportes e alimentos e bebidas -- tiveram um impacto de 0,18 ponto cada no índice ​geral.

'Os alimentos tiveram problema de oferta em setembro, com mais chuva e mais frio em regiões produtoras do país', disse o gerente da pesquisa do IPCA, Fernando Gonçalves. Ele destacou as altas do tomate (37%) e da batata (24,07%).

O índice dos preços dos serviços -- acompanhado de perto pelos economistas -- teve alta de 0,61% em setembro, acelerando ante ​o aumento de 0,03% no mês anterior.

O Banco Central voltará a se reunir para deliberar sobre a taxa básica de juros -- atualmente em 13,75% -- em novembro, e a expectativa predominante no mercado é de um sexto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual na Selic.

'Observamos uma piora qualitativa do IPCA na margem, com destaque para a aceleração dos núcleos e, principalmente, dos serviços, que seguem rodando em patamar elevado', disse o economista Leonardo Costa, do ASA.

'Ainda assim, entendemos que o Banco Central deve manter o processo de flexibilização monetária, apoiado na avaliação de que a ​inflação tende a convergir de forma mais favorável no horizonte relevante da política monetária', afirmou, acrescentando que a estratégia mais ‌provável segue sendo a de cortes graduais ⁠de 0,25 ponto.

A inflação foi um tema presente na campanha eleitoral à Presidência, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que busca a reeleição, frisando que o país tem registrado os menores níveis de inflação ⁠da história, enquanto seu rival, o senador Flávio Bolsonaro (PL), deu ênfase aos ⁠níveis de custo de vida elevados.

Os dados desta sexta-feira ⁠foram divulgados a pouco ⁠mais ​de duas semanas do segundo turno eleitoral no país.

(Por Rodrigo Viga Gaier; texto de Isabel Versiani; edição de Pedro Fonseca)

Reuters

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