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Irã receberá lança-mísseis portáteis da China em poucas semanas, dizem fontes

Irã receberá lança-mísseis portáteis da China em poucas semanas, dizem fontes

Reuters

30/07/2026

Placeholder - loading - Bandeiras da China e do Irã tremulam na Praça da Paz Celestial, em Pequim 14 de fevereiro de 2023 REUTERS/Thomas Peter
Bandeiras da China e do Irã tremulam na Praça da Paz Celestial, em Pequim 14 de fevereiro de 2023 REUTERS/Thomas Peter

Por John Irish e Jonathan Saul

30 Jul (Reuters) - O Irã deve receber nas próximas semanas um primeiro ​lote de até 400 lança-mísseis portáteis de defesa aérea fabricados na China, segundo informaram à Reuters três fontes a par do acordo, enquanto o país reconstrói suas defesas em meio à guerra com os Estados Unidos.

A compra, avaliada em US$60 milhões a US$70 milhões, é uma das maiores iniciativas conhecidas de Teerã para fortalecer suas defesas aéreas de curto alcance desde o início da guerra com os EUA e Israel, que expôs lacunas na capacidade do Irã de proteger instalações militares e infraestrutura estratégica.

O contrato abrange a compra de entre 300 e 400 sistemas portáteis de defesa aérea, incluindo mísseis QW-12 e FN-16 de fabricação chinesa, segundo as fontes.

O acordo foi assinado com a Zhongqing Baoshang International Investment, uma empresa sediada em Hong Kong que, segundo as fontes, atuou como intermediária entre a parte iraniana e o fornecedor chinês.

IRÃ PRECISA SE REARMAR APÓS MESES DE GUERRA

As fontes falaram sob condição de anonimato devido à delicadeza do assunto. O Ministério das Relações Exteriores do Irã não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

O Ministério das Relações Exteriores da China afirmou: “As notícias em questão são totalmente infundadas. A China tem desempenhado consistentemente um papel na promoção da paz e no fim do conflito.”

Questionado sobre o ⁠acordo em uma coletiva de imprensa de ⁠rotina em Pequim na quinta-feira, o porta-voz do Ministério da Defesa chinês, ​Jiang Bin, disse ‌que “não estava a par da situação em questão”.

O Zhong Qing Bao Shang Group, com sede em Pequim, empresa controladora da Zhongqing Baoshang International Investment, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário enviado por email na terça-feira.

O Irã precisa se rearmar após meses de combates nos quais os EUA e Israel atacaram instalações ligadas aos seus programas de mísseis, drones e defesa aérea, e Teerã respondeu com disparos de mísseis balísticos e drones.

O conflito destacou o desafio de defender instalações militares e estratégicas fixas contra aeronaves avançadas e armas guiadas com precisão.

Washington suspendeu ⁠abruptamente, no sábado, duas semanas de bombardeios, mas o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que os ataques seriam retomados caso as negociações não ​conseguissem pôr fim ao conflito, que já dura cinco meses e que, em teoria, está em estado de cessar-fogo desde abril.

Em resposta a esta reportagem, Trump disse que seria surpreendente que ​o Irã recebesse tal equipamento da China, considerando o que ele descreveu como garantias do presidente chinês, Xi ‌Jinping, de não se envolver na guerra em favor ​do ⁠Irã.

“Quero dizer, coisas assim acontecem, mas isso seria surpreendente. Ele (Xi) me disse com muita veemência que não participaria, mas sabe que eu ficaria bastante decepcionado”, disse Trump na quarta-feira, em resposta a uma pergunta sobre essa reportagem.

A entrega de centenas de lança-mísseis portáteis ampliaria significativamente o estoque de armas de defesa aérea de curto alcance do Irã e ressaltaria como os laços militares com a China estão se aprofundando.

As fontes alertaram ​que, embora o acordo tenha sido assinado, os cronogramas de entrega, as quantidades e outros detalhes de implementação ainda podem sofrer alterações.

De acordo com um plano acordado pelas partes, as entregas serão inicialmente feitas por via aérea a partir de Urumqi, no oeste da China, e depois transitarão pelo Paquistão até o Irã, segundo as fontes, que não esclareceram se as transferências ocorreriam por via aérea ou rodoviária.

O ISPR, órgão de relações públicas das Forças Armadas do Paquistão, afirmou: “As especulações de que o Paquistão estaria envolvido no fornecimento de armas de defesa aérea da China ao Irã são totalmente inventadas e falsas.” ​Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão não respondeu aos pedidos de comentário.

CHINA E IRÃ EXPLORAM ROTAS TERRESTRES PARA ENTREGA, AFIRMAM FONTES

Embora o Irã tenha investido pesadamente nas últimas duas décadas em mísseis, drones e radares, especialistas militares afirmam que os sistemas portáteis de defesa aérea são importantes porque podem ser dispersados rapidamente, operados por pequenas equipes e realocados com frequência, tornando-os menos vulneráveis do que as baterias fixas de defesa aérea.

Uma fonte de segurança europeia afirmou que as autoridades de seu país estavam cientes de vários contratos em discussão envolvendo a possível venda de MANPADS da série QW ao Irã, incluindo os sistemas QW-12, QW-18 e QW-19.

Uma segunda fonte de segurança, no Oriente Médio, afirmou que o Irã vinha buscando adquirir mísseis QW-12 e QW-18, mas que não tinha conhecimento de que um acordo já havia sido fechado.

O QW-12 e o FN-16 são sistemas de mísseis terra-ar lançados do ombro e guiados por infravermelho, projetados para atingir aeronaves voando a baixa altitude, helicópteros e ​drones. Sua mobilidade permite que sejam rapidamente posicionados em torno de instalações militares, infraestrutura energética e outros locais sensíveis.

Analistas de defesa consideram o QW-12 menos capaz do que as variantes mais recentes do QW, incluindo o ‌QW-18 e o QW-19, mas afirmam que os sistemas ainda podem oferecer uma ⁠camada eficaz de proteção de curto alcance contra drones e alvos que voam a baixa altitude.

Duas fontes de inteligência ocidentais e uma autoridade iraniana afirmaram que Teerã também havia explorado o uso de rotas terrestres para transportar suprimentos militares chineses e componentes de dupla utilização de forma mais discreta e reduzir o risco de interrupções.

A aquisição destaca a dependência contínua da República Islâmica de uma ⁠combinação de produção nacional de armas e fornecedores estrangeiros, apesar de anos de sanções e restrições às importações relacionadas à defesa.

A Reuters ⁠havia noticiado anteriormente que o Irã estava prestes a fechar um acordo separado com a China ⁠para adquirir mísseis de cruzeiro antinavio, de ⁠acordo ​com pessoas a par dessas negociações. A Reuters não conseguiu determinar se o acordo foi concretizado.

(Reportagem adicional de Liz Lee em Pequim, Clare Jim e Greg Torode em Hong Kong e Rick Noack em Islamabad)

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