Israel lança ataques mortais contra Tiro, no Líbano, após alerta
Israel lança ataques mortais contra Tiro, no Líbano, após alerta
Reuters
09/06/2026
BEIRUTE, 9 Jun (Reuters) - Israel atacou a histórica cidade portuária de Tiro, no sul do Líbano, nesta terça-feira, matando pelo menos oito pessoas, informou o Ministério da Saúde libanês, após ter sido emitida, pela primeira vez, uma ordem israelense de retirada para toda a cidade.
As mortes ocorreram após um único ataque na extremidade leste da cidade, informaram o ministério e a mídia estatal, em um dos bombardeios israelenses mais mortíferos contra Tiro desde que a guerra entre Israel e o grupo armado libanês Hezbollah eclodiu em 2 de março.
Um vídeo das consequências do ataque, em um local verificado pela Reuters como sendo nas proximidades do local do ataque, mostrava destroços espalhados por toda a extensão de uma rua. Em um beco cheio de fumaça, era possível ver um guindaste operando perto de um prédio danificado.
O Ministério da Saúde informou que equipes de resgate ainda estavam vasculhando os escombros do ataque em busca de sobreviventes.
MSF SUSPENDE OPERAÇÕES EM HOSPITAIS
As Forças Armadas israelenses haviam emitido, na manhã de terça-feira, um alerta de retirada online para toda a cidade, incluindo o bairro cristão no noroeste, onde pessoas deslocadas de outras partes da cidade buscavam abrigo e que havia sido deixado de fora das ordens de retirada anteriores.
Na semana passada, as Forças Armadas israelenses afirmaram que militantes do Hezbollah, apoiado pelo Irã, estavam se escondendo na área, sem apresentar provas. Elas instaram os cristãos da cidade a exigirem a saída do Hezbollah e ameaçaram ordenar uma retirada no bairro caso os combatentes não partissem.
A mídia estatal libanesa informou que as pessoas estavam fugindo da cidade na terça-feira, com equipes de defesa civil transportando idosos que permaneceram no local para abrigos temporários.
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) disse em um comunicado estar profundamente preocupada com o que chamou de “práticas de deslocamento forçado”, referindo-se à advertência de Israel para que as pessoas saíssem antes dos ataques.
A organização afirmou que tais práticas “expõem as pessoas a mais riscos ao obrigá-las a se deslocar em condições inseguras e caóticas”.
MSF informou que teve que suspender suas atividades médicas em vários hospitais próximos, bem como as operações de suas clínicas móveis, durante o dia.
A mais recente guerra no Líbano começou quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em apoio a seu aliado Irã. Israel retaliou com ataques intensos e uma invasão terrestre que ocupou vastas áreas do sul.
Os EUA anunciaram um cessar-fogo em 16 de abril, mas a medida não interrompeu os combates no sul do Líbano.
Israel continuou a emitir ordens de retirada para o sul do Líbano, o que efetivamente esvaziou um quinto do país, incluindo áreas muito além das linhas de frente.
(Reportagem de Maya Gebeily e Edward Carron em Londres, e Ahmed Elimam em Dubai)
Reuters

