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Itamaraty convoca diplomata argentina para explicar ajuda a fuga de Flávio Bolsonaro

Itamaraty convoca diplomata argentina para explicar ajuda a fuga de Flávio Bolsonaro

Reuters

30/10/2026

Placeholder - loading - Senador Flávio Bolsonaro 25 de outubro de 2026 REUTERS/Adriano Machado
Senador Flávio Bolsonaro 25 de outubro de 2026 REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  30/10/2026

Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA, 30 Out (Reuters) - O Itamaraty ​convocou a encarregada de negócios da embaixada argentina em Brasília, Maria Emília Cortés, para dar explicações sobre a participação do governo de seu país na fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, confirmaram à Reuters duas fontes do governo brasileiro nesta sexta-feira.

Cortés foi recebida na noite de quinta-feira pelo diretor do Departamento de América do Sul, embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, e a conversa foi rápida, segundo uma das fontes.

A convocação é uma praxe diplomática para o país registrar seu desagrado com as ações de outro ⁠governo.

Flávio ⁠Bolsonaro chegou aos Estados Unidos na manhã ​de quarta-feira ‌depois de deixar o Brasil e usar como rota de fuga o aeroporto da cidade fronteiriça argentina de Puerto Iguazu, utilizando um jato fretado pelo governo norte-americano. Em uma carta divulgada na quinta-feira, o senador agradeceu a ajuda ⁠do presidente argentino, Javier Milei.

Reportagens da imprensa argentina mostram o envolvimento direto ​de membros do governo Milei com Flávio Bolsonaro e sua família, inclusive com ​uma escolta da polícia aeroportuária da Argentina, que o ‌acompanhou até embarcar.

Ao ​viajar para ⁠os EUA, o senador do PL, que foi derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno da eleição presidencial de domingo, descumpriu uma determinação judicial de entregar ​seus passaportes e de não deixar o Brasil, no âmbito de um inquérito em que é investigado por lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Cortés representa o corpo diplomático argentino no Brasil desde que começou a crise diplomática entre os governos Lula ​e Javier Milei, no final de julho.

O presidente argentino esteve no Brasil para o lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro, e ofendeu Lula, repetindo depois outras ofensas em entrevistas e em rede sociais.

A escalada levou o Brasil a retirar seu embaixador em Buenos Aires, Júlio Bitelli, rebaixando as relações diplomáticas entre os dois países. Em seguida, Daniel Ribondi, então embaixador argentino em Brasília, também voltou para a Argentina.

O chanceler argentino, Pablo Quirno, ​disse que não houve um pedido de explicações feito pelo governo brasileiro.

As duas fontes ouvidas pela ‌Reuters reafirmaram suas informações. O Ministério ⁠de Relações Exteriores do Brasil não vai comentar o assunto.

Segundo uma das fontes, não há previsão de qualquer mudança nas relações entre os dois países em um ⁠futuro próximo, já que Milei tem mantido o tom agressivo ⁠em relação ao Brasil, e a ⁠ajuda na fuga de ⁠Flávio ​compõe um quadro de intromissão na política interna brasileira.

(Reportagem de Lisandra ParaguassuEdição de Alexandre Caverni)

Reuters

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