Justiça manda Meta tirar do ar publicações que defendem demissão de funcionários por causa do voto
Justiça manda Meta tirar do ar publicações que defendem demissão de funcionários por causa do voto
Reuters
30/10/2026
Atualizada em 30/10/2026
Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 30 Out (Reuters) - A Justiça do Trabalho determinou na quinta-feira que a Meta, dona de Facebook, Instagram, WhatsApp, Meta AI e Threads, retire no prazo de 24 horas publicações em suas plataformas que defendem a demissão de funcionários por causa do voto que deram no segundo turno da eleição presidencial do último domingo, vencida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na decisão, o juiz Bruno José Perusso, da 77ª Vara do Trabalho de São Paulo, também determinou multa de R$50 mil à Meta por cada publicação não retirada do ar, até o limite de R$500 mil, além da obrigatoriedade da empresa exibir, no prazo de 72 horas e por cinco dias, mensagem a todos os usuários do Facebook, do Instagram e do Threads informando que a discriminação por convicção política e o assédio eleitoral no emprego são proibidos por lei, sob pena de multa de R$200 mil em caso de descumprimento.
'A liberdade de expressão constitui vetor indispensável ao Estado Democrático de Direito, mas não é um direito absoluto e não autoriza o incentivo a práticas ilícitas, perseguições profissionais ou violações a direitos de personalidade de terceiros', disse o magistrado em sua decisão.
'Uma coisa é externar opinião política ou crítica partidária; outra, inteiramente distinta e ilícita, é utilizar as plataformas digitais para instigar a punição de trabalhadores por suas escolhas ideológicas, pois atinge um dos pilares do Estado Democrático de Direito e da República Federativa do Brasil que é o pluralismo político.'
Procurada, a Meta disse que não irá comentar.
Após Lula derrotar o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno da eleição presidencial no domingo, surgiram nas redes sociais publicações de pessoas defendendo que empresários demitam funcionários que votaram em Lula, assim como passaram a circular listas de estabelecimentos que teriam apoiado a reeleição do petista para que fossem boicotados.
O episódio gerou reações do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do governo federal, que anunciaram a criação de um canal de denúncias e uma força-tarefa integrada para combater o assédio eleitoral.
DADOS
O número de denúncias de assédio eleitoral recebido pelo MPT este ano, 3.754 casos até a quinta-feira, já superou as denúncias ocorridas durante todo o ano de 2022, a última eleição geral, em que houve 3.373 registros, segundo dados do órgão vistos pela Reuters.
Até o primeiro turno das eleições de 2026, o MPT havia recebido apenas 991 denúncias, entre o primeiro e segundo turno 946 registros e somente após o segundo turno, realizado no domingo, mais 1.817 casos.
O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, disse à Reuters que praticamente metade da população brasileira está insatisfeita com o resultado das eleições e alguns empregadores passaram a perseguir, ameaçar e dispensar trabalhadores que votaram no Lula, no PT e na esquerda, inconformados em ter funcionários que não tenham a mesma ideologia deles.
Oliveira destacou que o MPT está ajuizando ações contra empregadores, parlamentares, influenciadores e quem quer que esteja praticando esse tipo de discriminação no ambiente de trabalho. As ações podem levar à reintegração de funcionários, multas a empregadores, entre outras sanções.
'A situação está pior que (em eleições passadas), está mais delicada, mais sensível, a agressividade aumentou, o volume de mensagens e denúncias aumentou consideravelmente', afirmou. 'É um retrocesso civilizatório', considerou.
(Reportagem de Ricardo Brito; reportagem adicional de Eduardo Simões; Edição de Tatiana Ramil e Alexandre Caverni)
Reuters

