Petrobras, Prio e Equinor arrematam áreas no pré-sal em busca de sinergias com seus ativos
Petrobras, Prio e Equinor arrematam áreas no pré-sal em busca de sinergias com seus ativos
Reuters
07/10/2026
Atualizada em 07/10/2026
Por Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier
RIO DE JANEIRO, 7 Out (Reuters) - Sete blocos exploratórios de petróleo e gás no pré-sal foram arrematados nesta quarta-feira em leilão do governo brasileiro, um número recorde para vendas de áreas na importante região produtora, com empresas como a Petrobras, Prio e a norueguesa Equinor buscando garantir ativos próximos de onde já operam.
A portuguesa Galp e as chinesas Sinopec e CNOOC também arremataram áreas, em um certame que foi marcado pela ausência de disputas pelos blocos.
Outros seis blocos ofertados não tiveram interesse, em um sinal de que parte do mercado considera que as áreas com maior potencial no pré-sal já foram comercializadas pelo governo brasileiro.
Algumas das vencedoras, por outro lado, arremataram áreas onde podem aproveitar conhecimentos já adquiridos por elas na região e ainda possíveis sinergias para a exploração e produção, segundo as petroleiras. Essa situação também acabou gerando menos disputas no leilão.
A operação com maior ágio da rodada em relação ao mínimo exigido foi registrada no bloco Rodocrosita, na Bacia de Santos, arrematado pelo consórcio formado pela Equinor e a portuguesa Galp, o que ressalta as sinergias buscadas no certame.
O bloco Rodocrosita, comprado com oferta de excedente em óleo de 15,52% para a União -- um ágio de 494,64% -- fica próximo ao campo de Bacalhau, também operado pela norueguesa, disse a vice-presidente de Gestão de Ativos da Equinor no Brasil, Leticia Andrade, a jornalistas.
'É uma área que a gente já conhece ou está conhecendo cada vez mais, conforme a produção do campo (de Bacalhau) vai avançando. E aí, existe sempre uma possibilidade de potencial sinergia, potencialmente entre Rodocrosita e Bacalhau', disse a executiva.
Já em Rubi, também arrematado pela Equinor na Bacia de Santos, com oferta de 25,02% de excedente em óleo e ágio de 91,72%, 'existe uma possibilidade de ser um desenvolvimento independente', disse a executiva, pontuando que ainda é 'muito cedo' para dizer. 'Agora, dada a vitória, vamos fazer as análises para decidir que rumo tomar.'
'TIEBACK' FUNCIONA BEM
O presidente da Pré-Sal Petróleo SA (PPSA), empresa que representa a União nos contratos de partilha de produção no pré-sal, Luis Paroli, ressaltou que houve um recorde de áreas arrematadas em um mesmo leilão do pré-sal, e confirmou a estratégia das empresas sobre a busca por ativos onde já atuam e conhecem.
'Foi muito positivo o leilão, é um recorde, na verdade; nunca aconteceu de sair sete áreas no mesmo leilão. É um recorde para partilha e também os ágios foram muito bons, então a nossa avaliação é que foi um grande sucesso', disse o executivo a jornalistas, após o certame.
Paroli pontuou ainda que o Brasil tem áreas com potencial 'gigantesco' no pré-sal, se comparado com o mundo. Porém ponderou que há necessidade de que sejam campos grandes para que sejam viabilizados economicamente, já que estão em águas ultraprofundas.
'Hoje, como a gente não tem aqueles grandes campos, as pessoas que estão próximas ali, que já têm o FPSO funcionando... talvez o potencial não seja para 'standalone', não seja suficiente, mas para um 'tieback' funciona e funciona muito bem, e dá uma margem muito boa. O que explica também os ágios', disse Paroli.
PETROBRAS E PRIO
Na mesma linha, a Petrobras arrematou os blocos Azurita, na Bacia de Campos, e Cruzeiro do Sul, na Bacia de Santos, oferecendo percentuais de excedente em óleo de 30,0% e 15,27%, respectivamente. Os ágios em relação ao excedente mínimo de óleo alcançaram 139,81% em Azurita e 8,07% em Cruzeiro do Sul, segundo dados da ANP.
'O resultado está dentro das oportunidades e, as áreas, junto de outros blocos (onde Petrobras já atua)', disse a diretora de Exploração e Produção, Sylvia Anjos, à Reuters.
De acordo com o geólogo consultor da Zag Consultoria Pedro Zalán, Azurita fica próximo aos campos da Petrobras de Espadarte e Tartaruga Verde, que produzem no pós-sal.
'Azurita foi adquirida por seus méritos próprios... é uma área com alto potencial para uma grande descoberta no pré-sal', disse o especialista à Reuters.
Já Cruzeiro do Sul, segundo Zalán, foi adquirido para fazer sinergia com o futuro desenvolvimento do campo gigante de Júpiter, que fica logo ao norte da área. 'Júpiter é uma gigantesca acumulação de óleo, condensado e gás, mas tem uma quantidade muito alta de CO2 (75%)... Cruzeiro do Sul é a continuação das reservas de Júpiter, e ele é necessário para tornar econômico o desenvolvimento de Júpiter', afirmou.
A brasileira Prio foi a vencedora dos blocos Magnetita e Hematita, ambos na Bacia de Campos. Em Magnetita, a empresa ofertou excedente em óleo de 32,8% para a União, com ágio de 132,79%, enquanto em Hematita apresentou proposta de 7,18%, equivalente a ágio de 315,03%.
Os blocos adquiridos pela Prio são localizados ao norte da Bacia de Campos, próximos aos campos da companhia de Wahoo e Frade, disse a empresa em comunicado.
'A companhia avaliará os recursos prospectivos dos blocos, que em caso de sucesso poderão ser objeto de desenvolvimento através de 'tieback' ao FPSO Valente, localizado no campo de Frade', disse a Prio.
O bloco Jade foi vencido pelo consórcio formado pelas chinesas CNOOC e Sinopec, com oferta de 18,2% de excedente em óleo para a União, representando ágio de 65,76%, com os chineses realizando sua 'primeira grande aventura exploratória no pré-sal como operadores, e não mais como meros sócios da Petrobras', disse o geólogo.
Os blocos Turmalina, Larimar, Aragonita, Opala, Granada e Cerussita não receberam oferta.
O leilão resultou em uma arrecadação total de R$530,47 milhões em bônus fixos de assinatura à União, que também levou dos arrematantes o direito de parte do petróleo a ser produzido no futuro.
O investimento exploratório previsto nas áreas somou R$778,43 milhões, de acordo com o balanço apresentado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
(Reportagem de Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier; edição de Roberto Samora)
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