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Mediador Paquistão realizará negociações no Irã enquanto EUA preparam “Dia D econômico”

Mediador Paquistão realizará negociações no Irã enquanto EUA preparam “Dia D econômico”

Reuters

24/08/2026

Placeholder - loading - Banner com foto do presidente dos EUA, Donald Trump, e sistema de mísseis iraniano na Praça Azadi, em Teerã  30 de julho de 2026      Majid Asgaripour/WANA via REUTERS
Banner com foto do presidente dos EUA, Donald Trump, e sistema de mísseis iraniano na Praça Azadi, em Teerã 30 de julho de 2026 Majid Asgaripour/WANA via REUTERS

Por Menna Alaa El-Din e Asif Shahzad e Ariba Shahid

CAIRO/ISLAMABAD, 24 ​Ago (Reuters) - O chefe do Exército do Paquistão estava em Teerã nesta segunda-feira em uma missão de mediação, enquanto os Estados Unidos se preparavam para lançar “a maior ofensiva financeira de todos os tempos” contra os parceiros comerciais do Irã.

O Irã rejeitou a ameaça dos EUA, prometendo interromper todas as exportações de petróleo do Golfo “se a guerra econômica continuar”. O país emitiu uma nova advertência aos navios para que não atravessassem o Estreito de Ormuz sem sua permissão, listando 45 embarcações que, segundo ele, teriam violado suas regras e ameaçando retaliar qualquer transferência de navio para navio envolvendo essas embarcações.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, prometeu revelar medidas severas contra o Irã — que vem sofrendo sanções econômicas quase contínuas desde a Revolução Islâmica de 1979 — durante uma coletiva de imprensa marcada para 14h (horário de Brasília) desta segunda-feira.

“Ao amanhecer, começa um ‘Dia D’ econômico — a maior ⁠ofensiva financeira já mobilizada ⁠contra um adversário”, escreveu Bessent em um artigo de ​opinião publicado no ‌Financial Times no domingo.

O chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, que construiu um relacionamento pessoal com o presidente dos EUA, Donald Trump, chegou ao Irã na segunda-feira para conversações, informou a mídia iraniana. O Paquistão disse que a visita faz parte de seus esforços “para promover a paz e a estabilidade regionais”, e uma fonte paquistanesa declarou que Munir deveria se reunir com pessoas ⁠próximas ao líder supremo do Irã.

Duas fontes paquistanesas afirmaram que Trump ligou para Munir na semana passada, e ​uma outra disse que o principal pedido era fazer com que o Irã voltasse às negociações. A Casa Branca não respondeu imediatamente ​a um pedido de comentário.

EUA e Irã não realizam ataques aéreos contra as ‌forças armadas um do outro há ​semanas, mas ⁠suas últimas negociações oficiais presenciais para pôr fim ao conflito, que já dura seis meses, ocorreram em junho, e os ataques a embarcações no Estreito de Ormuz continuaram.

Um projétil atingiu um petroleiro a oeste da cidade portuária saudita de Yanbu, no Mar Vermelho, na segunda-feira, causando um incêndio no ​convés principal, segundo informaram monitores de tráfego marítimo da Maritime Trade Operations, do Reino Unido. Eles não revelaram quem teria lançado o projétil. Os aliados houthis do Irã afirmaram no mês passado que bloqueariam as exportações de petróleo sauditas desviadas para o Mar Vermelho a fim de evitar o Estreito de Ormuz.

Milhares de pessoas morreram, a maioria delas no Irã e no Líbano, desde que EUA e Israel iniciaram os ataques ​em 28 de fevereiro, prejudicando grande parte da capacidade militar convencional do Irã e causando danos econômicos, além de terem matado o então líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei.

No entanto, o Irã preservou capacidade suficiente de mísseis e drones para atacar seus vizinhos do Golfo e praticamente paralisar a navegação no Estreito de Ormuz, elevando os preços mundiais dos combustíveis. O estado exato do programa nuclear iraniano, que os norte-americanos e israelenses pretendem eliminar, permanece desconhecido.

Os preços do petróleo recuaram na segunda-feira, após duas semanas de alta, à medida que os investidores realizaram lucros antes do anúncio esperado pelos EUA.

Sem detalhar medidas específicas, Bessent sinalizou que os EUA teriam como alvo “nações temerosas” que praticam a “apaziguamento” ao se ​envolverem com a economia e o sistema financeiro do Irã.

“Fariam bem em considerar as consequências de manter essa postura”, escreveu ele no Financial Times.

O Irã ‌vem se preparando para as sanções há dias, emitindo uma ⁠série de declarações que sugerem uma resposta militar de grande porte.

Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, sugeriu, no domingo, uma retaliação econômica.

“Se a guerra econômica continuar, nem uma única gota de petróleo será exportada, nem pelo Estreito de Ormuz nem de ⁠qualquer outro lugar do Golfo Pérsico”, escreveu Rezaei em uma postagem nas redes sociais. “O Irã ⁠considerará a participação ou o apoio de qualquer país à guerra ⁠econômica dos Estados Unidos contra ⁠o ​povo iraniano como um ato de guerra.”

(Reportagem adicional de Yasmine Ghania e Eman Abouhassira, no Cairo; Rick Noak, em Islamabad; e Kanishka Singh, em Washington)

Reuters

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