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Milei vem ao Brasil para tentar impulsionar candidatura de Flávio Bolsonaro

Milei vem ao Brasil para tentar impulsionar candidatura de Flávio Bolsonaro

Reuters

24/07/2026

Placeholder - loading - Presidente da Argentina, Javier Milei, participa de cerimônia que marca o 172º aniversário da Bolsa de Valores de Buenos Aires, em Buenos Aires 16 de julho de 2026 REUTERS/Mariana Nedelcu
Presidente da Argentina, Javier Milei, participa de cerimônia que marca o 172º aniversário da Bolsa de Valores de Buenos Aires, em Buenos Aires 16 de julho de 2026 REUTERS/Mariana Nedelcu

Por Luciana Magalhaes e Ricardo Brito

SÃO PAULO, 24 Jul (Reuters) - O presidente da Argentina, Javier ​Milei, viajará ao Brasil nesta sexta-feira para declarar apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro durante a convenção do Partido Liberal, na esperança de estender ao maior país da América Latina uma onda regional de vitórias eleitorais da direita.

O raro endosso de um chefe de Estado estrangeiro em uma convenção de lançamento de candidatura oferece à campanha de Flávio Bolsonaro um novo impulso após meses marcados por escândalos e disputas internas, com a perda de terreno para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas pesquisas.

O prestígio importado pode ajudar o senador a consolidar um campo político fragmentado. Outros partidos conservadores evitaram apoiar sua candidatura, enquanto seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, está em prisão domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado.

'Ter o Milei na convenção ajuda a motivar, mobilizar essa base mais ideológica', disse Silvio Cascione, diretor da Eurasia Group para o Brasil, destacando o alinhamento com recentes vitórias da direita na Colômbia, Peru e Chile.

DESGASTE INTERNO

A campanha de Flávio Bolsonaro está pronta para mudanças após meses de dificuldades.

Em ⁠maio, o senador confirmou reportagens ⁠segundo as quais o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, ​posteriormente preso em ‌uma grande investigação de fraude e suborno, financiou a produção de um filme sobre a carreira política de seu pai. A questão ganhou nova relevância esta semana, após a Polícia Federal receber autorização para investigar o financiamento.

No mês passado, uma disputa pública com sua madrasta Michelle Bolsonaro ameaçou prejudicar sua imagem junto ao eleitorado feminino. Nesta semana, as novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros voltaram a colocar em foco os resultados mistos dos esforços de sua família ⁠para buscar apoio do presidente norte-americano Donald Trump.

Pesquisas da Quaest mostram Bolsonaro agora 8 pontos percentuais atrás de Lula em um ​eventual segundo turno, depois de ter registrado, em abril, uma pequena vantagem, ainda que dentro da margem de erro.

'A campanha de Flávio está sofrendo um desgaste ​interno', disse o analista político Rafael Favetti. Jair Bolsonaro, que ainda não deu sinais de estar ‌deixando a política de forma definitiva, continua ​exercendo influência ⁠por meio de sua esposa, Michelle, e de outros aliados, enfraquecendo a posição de Flávio como herdeiro natural da marca Bolsonaro, acrescentou o analista.

Até o fim da tarde desta quinta-feira, a assessoria de imprensa do senador não havia respondido a um pedido de comentário.

ONDA DE DIREITA

O apoio de Milei -- cuja vitória na Argentina em 2023 deu início a uma sequência ​de quase uma dúzia de eleições latino-americanas vencidas por candidatos alinhados a Trump -- relembra os ventos favoráveis mais amplos que ainda dão a Flávio uma chance na disputa.

Em toda a região, preocupações com a criminalidade e a estagnação econômica fortaleceram candidatos conservadores com uma agenda amplamente compartilhada de 'ordem primeiro, mercado depois e uma relação mais próxima com Washington', afirmou o JPMorgan em nota a clientes esta semana.

O líder argentino seguirá depois para o Peru, para a posse de Keiko Fujimori em 28 de julho; visitará também o Equador, ​onde se reunirá com o presidente conservador Daniel Noboa; e a Colômbia, para a posse de Abelardo de la Espriella, de direita, em 7 de agosto.

Até agora, a agenda de Flávio Bolsonaro tem muitos pontos em comum com as plataformas vitoriosas focadas em lei e ordem.

Na área de segurança pública, ele propôs reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos e construir novos presídios de segurança máxima, inspirado no modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele.

Na economia, promete cortes de impostos e privatizações para enxugar o Estado, ao mesmo tempo em que critica Lula pela inflação dos alimentos, fator que afetou a popularidade do presidente.

MAIS AO CENTRO

No entanto, a grande questão que paira sobre a campanha de Flávio Bolsonaro é como herdar o apoio fervoroso dado a seu pai e, ao mesmo tempo, ampliar seu apelo entre brasileiros cansados de ​uma década de política intensamente polarizada.

Em dezembro, após receber o apoio do pai, o que, na prática, deixou de lado o popular governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o ‌senador tentou se apresentar como uma figura mais moderada.

'Eu me considero, de ⁠verdade, um Bolsonaro mais centrado”, disse à Reuters em entrevista concedida em seu gabinete em Brasília, em dezembro.

Com viagens à Europa, ao Oriente Médio e a Washington, onde se reuniu com Trump e com o secretário de Estado Marco Rubio, ele procurou reforçar a ideia de uma aliança conservadora global em ascensão.

Mas tropeços domésticos deixaram potenciais ⁠aliados à margem e fortaleceram concorrentes conservadores que ainda aparecem com percentuais modestos nas pesquisas. Analistas continuam projetando ⁠um segundo turno disputado entre Lula e Flávio em outubro, mas, por enquanto, o ⁠impulso político mudou de lado e ⁠favorece ​o atual presidente.

'Essas eleições dependem de Lula escorregar numa casca de banana', afirmou Favetti, de Brasília.

(Reportagem de Luciana Magalhães e Ricardo Brito. Reportagem adicional de Lucila Sigal, em Buenos Aires.)

Reuters

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