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No FMI, Haddad defende fiscal mais restritivo para auxiliar política monetária

No FMI, Haddad defende fiscal mais restritivo para auxiliar política monetária

Reuters

11/10/2023

Placeholder - loading - Ministro Fernando Haddad  31/08/2023 REUTERS/Adriano Machado
Ministro Fernando Haddad  31/08/2023 REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  11/10/2023

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu nesta quarta-feira uma política fiscal mais restritiva nos países para auxiliar o trabalho de política monetária e reduzir o risco de instabilidade financeira, ressaltando que o esforço feito pelo Brasil nesse sentido levou a uma melhora na confiança.

Em declaração durante reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, no Marrocos, Haddad destacou a importância de consolidação fiscal para garantir que a dívida pública permaneça em trajetória sustentável, citando níveis elevados de endividamento em diversos países após a pandemia.

'No atual ambiente de inflação, uma política fiscal mais restritiva pode ajudar a política monetária a reequilibrar a oferta e a demanda, reduzindo a necessidade de taxas mais elevadas durante mais tempo e, portanto, o risco de instabilidade financeira', disse Haddad, na declaração disponibilizada no site do FMI.

O ministro mencionou a aprovação do novo arcabouço fiscal e a apresentação de medidas de receita que têm como finalidade zerar o déficit primário do governo brasileiro em 2024, argumentando que o objetivo das iniciativas não é aumentar a carga tributária, mas recuperar o nível de arrecadação ao patamar que prevaleceu nos últimos anos, de 19% do Produto Interno Bruto (PIB).

'Como resultado destas e de outras medidas, a confiança na sustentabilidade da dívida do Brasil melhorou', afirmou.

Na declaração, Haddad afirmou que a atividade global parece ter perdido dinamismo nos últimos meses e deve desacelerar ainda mais nos próximos anos, com risco para mercados emergentes.

Para ele, o enfrentamento desse cenário deve ser feito a partir de uma ampliação da integração econômica entre os países.

'Um passo essencial é garantir que a representação dos mercados emergentes e as economias em desenvolvimento -- onde vive a maior parte da população mundial -- na governança das principais organizações multilaterais reflita seu peso crescente na economia global', disse.

Nesse sentido, o ministro defendeu uma ampliação da participação acionária de países em desenvolvimento no FMI para espelhar a atual realidade econômica global, afirmando que há membros sub-representados. Ele afirmou que fechar prematuramente um acordo de governança do FMI poderia enviar um sinal equivocado.

'A não realização de quaisquer progressos no sentido do realinhamento das cotas e de uma governança mais representativa do FMI abriria um precedente perigoso e enviaria um sinal muito negativo sobre o compromisso dos membros em reforçar o multilateralismo', declarou.

Reuters

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