Petrobras tem 3º maior lucro líquido da história com maior produção e alta de preços
Petrobras tem 3º maior lucro líquido da história com maior produção e alta de preços
Reuters
06/08/2026
Atualizada em 06/08/2026
Por Marta Nogueira e Fabio Teixeira
RIO DE JANEIRO, 6 Ago (Reuters) - A Petrobras viu seu lucro líquido quase dobrar no segundo trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionado pelo aumento da produção, pelas maiores exportações de petróleo e pela forte alta dos preços internacionais da commodity, informou a companhia nesta quinta-feira.
Com R$52,4 bilhões apurados entre abril e junho, a estatal alcançou o terceiro maior lucro líquido trimestral de sua história. O montante ficou também acima da expectativa de R$44,7 bilhões apontada por pesquisa da LSEG junto a analistas do setor.
Segundo a Petrobras, o resultado refletiu o aumento da produção, apoiado pelo avanço do ramp-up de sistemas de produção e pela entrada em operação da plataforma P-79 no campo de Búzios, além do maior preço médio do petróleo Brent, que subiu para US$104,52 por barril no trimestre, ante US$67,82 um ano antes.
Os preços da commodity cresceram diante da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que teve início no fim de fevereiro e restringiu parte da oferta de petróleo global.
A companhia elevou a produção de petróleo no Brasil em 15,2% no segundo trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, para um recorde de 2,69 milhões de barris por dia (bpd) no país, conforme já havia reportado na semana passada.
“Os recordes operacionais que alcançamos neste segundo trimestre nos levaram a um dos maiores resultados financeiros trimestrais da série histórica da Petrobras. O aumento do volume de produção de óleo e de derivados, combinado ao Brent mais alto, fortaleceu nossa geração de caixa”, afirmou o diretor financeiro, Fernando Melgarejo, no relatório.
O resultado, entretanto, foi impactado por um aumento da despesa tributária, especialmente por maiores despesas com o imposto de exportação de petróleo, e pelo menor ganho com variação cambial, em função da menor valorização do real frente ao dólar, segundo a Petrobras.
A companhia somou um total de R$4,87 bilhões pagos no trimestre em imposto de exportação, criado pelo governo federal como parte de iniciativas que tiveram como objetivo evitar impactos da volatilidade dos preços internacionais do petróleo no mercado doméstico de combustíveis.
Sem eventos exclusivos, o lucro líquido alcançou R$55,8 bilhões, um aumento de 140,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
O fluxo de caixa operacional (FCO) alcançou R$61,8 bilhões, um crescimento de 46% em 12 meses, e o fluxo de caixa livre totalizou R$ 38,6 bilhões, avanço de 100,6%.
A petroleira ressaltou, entretanto, que o FCO foi negativamente impactado pelo efeito do capital de giro em R$15,8 bilhões, principalmente em decorrência do aumento das contas a receber, incluindo os valores referentes ao programa de subvenção de combustíveis (R$9,7 bilhões), e da redução da conta de fornecedores (R$3,9 bilhões).
O Ebitda ajustado da estatal somou R$93,8 bilhões entre abril e junho, avanço de 79,6% em relação ao segundo trimestre de 2025. Sem considerar eventos exclusivos, o Ebitda ajustado atingiu R$100,6 bilhões.
A receita de vendas alcançou R$169,5 bilhões no trimestre, crescimento de 42,3% na comparação anual.
Com o resultado, o conselho da Petrobras aprovou R$17,4 bilhões em remuneração aos acionistas.
Durante o trimestre, foram investidos R$23,2 bilhões, sendo 82% destinados para o segmento de Exploração e Produção, com o objetivo de sustentar a curva de produção ascendente da companhia, com foco em atividades relacionadas a projetos novos e complementares.
(Por Marta Nogueira e Fabio Texeira, reportagem adicional de Andre Romani em São Paulo; edição Alberto Alerigi Jr.)
Reuters

