Preços mundiais dos alimentos se aproximam de máxima de 4 anos em setembro, diz ONU
Preços mundiais dos alimentos se aproximam de máxima de 4 anos em setembro, diz ONU
Reuters
02/10/2026
Por Gus Trompiz
PARIS, 2 Out (Reuters) - Os preços mundiais dos alimentos subiram em setembro para o nível mais alto em quase quatro anos, à medida que interrupções na logística e preocupações com as condições climáticas afetaram os mercados agrícolas, informou a organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).
Os temores em relação a um fenômeno climático El Niño severo levaram os preços internacionais do açúcar a uma máxima em 18 meses, enquanto o colapso no comércio do Mar Negro, causado pela guerra, impulsionou os contratos futuros de trigo para uma máxima em três anos no início do mês passado.
O Índice de Preços de Alimentos da FAO, que acompanha as variações mensais nos preços internacionais de uma cesta de commodities alimentícias, registrou média de 136,0 pontos, acima dos 134,0 pontos revisados de agosto e o maior valor desde novembro de 2022.
'Estamos observando um aumento persistente e cada vez mais generalizado nos preços globais das commodities, à medida que as interrupções no Estreito de Ormuz e no Mar Negro se combinam com choques climáticos, pressionando os setores de energia, transporte e principais commodities alimentícias', afirmou o economista-chefe da FAO, Máximo Torero.
'Se mantidas, essas pressões logo se refletirão nos preços dos alimentos ao consumidor, especialmente em países dependentes da importação de alimentos e energia', disse ele em um comunicado.
O índice de preços do açúcar da FAO subiu 6,1% em relação a agosto, registrando o terceiro aumento mensal consecutivo, à medida que condições climáticas adversas ameaçavam reduzir a oferta nas principais zonas de produção.
O índice de referência de preços de cereais da agência subiu 5,1% no mês, com as perspectivas de produtividade reduzida para o milho dos EUA somando-se à pressão causada pelas interrupções no comércio de grãos do Mar Negro.
Os preços dos óleos vegetais subiram 0,9%, impulsionados pelo óleo de palma, devido à forte demanda e às preocupações com os riscos à produção relacionados ao El Niño no Sudeste Asiático.
O índice geral de carnes da FAO recuou 1,1%. Isso refletiu a queda nos preços das aves, em parte ligada a uma redução na demanda da União Europeia com a entrada em vigor de novas regras de importação.
SAFRA GLOBAL
Em um relatório separado, a FAO manteve sua previsão para a produção global de cereais em 2026 praticamente inalterada, em 2,979 bilhões de toneladas métricas -- 2,1% abaixo do pico do ano anterior, mas ainda assim a segunda maior safra já registrada.
A FAO reduziu sua previsão para o comércio mundial de cereais em 2026/27 em 0,7% em relação ao mês passado, citando expectativas de menor exportação de trigo e milho em meio às restrições ao transporte marítimo no Mar Negro.
Reuters

