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Premiê do Reino Unido diz que Rússia interferiu em votação do Brexit em 2016

Premiê do Reino Unido diz que Rússia interferiu em votação do Brexit em 2016

Reuters

12/10/2026

Placeholder - loading - Manifestantes se reúnem em Londres para a Marcha Nacional pela Reintegração para marcar os 10 anos do referendo do Brexit. REUTERS/Jack Taylor
Manifestantes se reúnem em Londres para a Marcha Nacional pela Reintegração para marcar os 10 anos do referendo do Brexit. REUTERS/Jack Taylor

Por Andrew MacAskill

LONDRES, 12 Out (Reuters) - O primeiro-ministro britânico, ​Andy Burnham, afirmou que a Rússia interferiu na votação do Brexit de 2016, embora seu gabinete tenha declarado posteriormente que Moscou não conseguiu influenciar o resultado e que a decisão de sair da União Europeia foi legítima.

Burnham, que assumiu a liderança do Reino Unido em julho e afirmou no mês passado que o país poderia considerar um retorno à União Europeia no futuro, é o primeiro primeiro-ministro britânico a afirmar abertamente que há evidências de interferência russa na votação.

Ele fez o comentário ao alertar os eleitores da França e da Alemanha sobre as tentativas apoiadas por Moscou ⁠de influenciar ⁠a política desses países.

“Fiz a seguinte pergunta ​ao chegar ‌a Downing Street: houve interferência da Rússia no referendo de 2016? E recebi a resposta clara de que sim, houve”, disse Burnham em entrevista ao podcast “The Rest Is Politics”.

Burnham não explicou como acredita que a Rússia tenha interferido no referendo e não ⁠deu detalhes sobre quais evidências essa afirmação se baseia.

A embaixada russa em Londres ​não respondeu a um pedido de comentário.

A Rússia já havia negado anteriormente qualquer interferência na ​votação do Brexit, retratando a Reino Unido como um ‌país tomado por histeria ​antirussa.

RESULTADO CONTINUA ⁠LEGÍTIMO

Os comentários de Burnham marcam um afastamento das declarações do ex-primeiro-ministro Boris Johnson, que fez campanha pela saída da UE e afirmou, em 2020, que não havia evidências de interferência russa no referendo.

Os ​britânicos votaram por 52% a 48% a favor da saída da UE em 2016, mergulhando o país em sua maior crise política desde a Segunda Guerra Mundial.

O secretário adjunto do Ministério das Relações Exteriores, Stephen Doughty, esclareceu as declarações de Burnham nesta segunda-feira, afirmando que não há ​evidências de que a Rússia tenha interferido com sucesso no referendo.

Questionado se a interferência pode ter alterado o resultado, ele disse à Sky News: “Eles não tiveram sucesso.”

Um porta-voz de Burnham também afirmou que o governo acredita que o resultado do referendo foi legítimo.

Nigel Farage, um dos principais defensores do Brexit, chamou Burnham de “mentiroso” e disse que ele tem 'todo tipo de ideias bizarras”.

Burnham disse no podcast que os eleitores nas democracias europeias precisam estar mais bem informados sobre tentativas de perturbar ​sua política.

“Quero dizer, é importante deixar essas coisas bem claras agora e acredito que isso ajude ‌os eleitores na Alemanha e na França ⁠a entenderem que parte dessa política é instigada por nossos inimigos, a saber, a Rússia”, disse ele.

Um relatório de 2020 da Comissão de Inteligência e Segurança do Parlamento do país constatou ⁠que o governo britânico não conseguiu determinar se a Rússia ⁠interferiu no referendo de 2016.

O relatório também ⁠constatou que a Rússia ⁠tentou ​influenciar o referendo sobre a independência da Escócia de 2014, no qual os eleitores rejeitaram a independência.

Reuters

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