Presidente do Fed de Chicago vê risco de erro na visão de que inflação baixa requer desemprego alto
Presidente do Fed de Chicago vê risco de erro na visão de que inflação baixa requer desemprego alto
Reuters
28/09/2023
Por Howard Schneider
WASHINGTON (Reuters) - O Federal Reserve pode estar prestes a fazer 'algo raro' ao reduzir a inflação sem afetar muito o emprego e o crescimento, e deve ser 'extremamente cuidadoso' ao confiar demais no histórico de lutas contra a inflação no passado para traçar novas medidas de política monetária, disse nesta quinta-feira o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee.
'Acreditar muito fortemente na inevitabilidade de um grande 'trade-off' entre inflação e desemprego traz o sério risco de um erro de política monetária no curto prazo', disse Goolsbee em uma crítica à 'visão tradicionalista' de que a desaceleração da inflação exige uma dor econômica significativa na forma de aumento do desemprego e desaceleração do crescimento, ou mesmo recessão.
Goolsbee disse que as opiniões de longa data sobre o que será necessário para terminar a batalha contra as pressões de preço talvez não se apliquem mais, e citou uma pesquisa recente da equipe do Fed de Chicago que indica que a inflação poderia atingir a meta de 2% do banco central dos Estados Unidos 'em breve' e sem novas altas de juros.
'Manter as correlações históricas simples do que o crescimento e as condições do mercado de trabalho significam para a inflação em face de desdobramentos positivos na oferta é uma receita para ultrapassar a meta e causar uma desaceleração desnecessária', disse Goolsbee, que atualmente tem voto na política de juros do Fed.
A inflação que eclodiu em 2021 foi em grande parte impulsionada por choques de oferta e escassez de mão de obra que diminuíram gradualmente, disse ele, o que tornou menos necessário desestimular a demanda com juros altos que prejudicariam o emprego e o crescimento no processo.
Goolsbee também disse que expectativas públicas 'bem ancoradas' sobre a inflação podem permitir que o ritmo de aumento dos preços caia 'com menos dor econômica do que era necessário no passado'.
Reuters

