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Presidente do Irã acusa Trump de ter “mentalidade de intimidação” e promete não se render

Presidente do Irã acusa Trump de ter “mentalidade de intimidação” e promete não se render

Reuters

23/09/2026

Placeholder - loading - Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas     23 de setembro de 2026    REUTERS/MIKE SEGAR
Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, discursa na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas 23 de setembro de 2026 REUTERS/MIKE SEGAR

Por Parisa Hafezi e Michelle Nichols

NAÇÕES UNIDAS, 23 Set (Reuters) - ​O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acusou o presidente dos EUA, Donald Trump, de ter uma “mentalidade de intimidação”, nesta quarta-feira, afirmando na ONU que o Irã não se renderá na guerra contra os EUA, mas continua aberto à diplomacia para pôr fim ao conflito.

Em um discurso em tempo de guerra perante a Assembleia Geral da ONU, composta por 193 membros, Pezeshkian disse que as ameaças apenas fortalecerão a determinação do Irã, rejeitando a advertência de Trump de que ele pode aniquilar o Irã caso não seja alcançado um acordo.

“As declarações feitas ontem pelo presidente dos EUA... são um sinal de uma mentalidade de intimidação. ... O povo iraniano não se curvará à pressão. ... Aqueles que são terroristas ⁠e treinam terroristas ⁠nos chamam de terroristas”, disse ele, referindo-se à ​descrição feita ‌por Trump do Irã como o principal patrocinador do terrorismo no mundo.

Várias vezes durante seu discurso, Pezeshkian afirmou que o Irã está disposto a resolver as tensões com os Estados Unidos por meio de negociações, mas advertiu que Teerã não aceitaria a linguagem da força.

A delegação dos Estados Unidos saiu da ⁠sala no início do discurso de Pezeshkian. A missão dos EUA junto às Nações ​Unidas não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Pezeshkian iniciou seu discurso acusando os Estados Unidos de matar ​civis durante a guerra, exibindo fotos que incluíam uma imagem ‌de alunas em uma sala ​de aula.

Um ⁠ataque com mísseis a uma escola primária em Minab, em 28 de fevereiro – horas depois que os ataques dos EUA e de Israel ao Irã deram início ao conflito – matou mais de 175 crianças e professores, segundo autoridades iranianas.

O ​Pentágono não divulgou publicamente as conclusões de sua investigação sobre o ataque a Minab, o incidente com o maior número de vítimas civis envolvendo as Forças Armadas dos EUA em décadas. A Reuters informou em 5 de março que uma investigação interna inicial das Forças Armadas dos EUA concluiu que as forças norte-americanas provavelmente foram ​responsáveis pelo ataque.

Pezeshkian afirmou que o Irã não tem intenção de buscar bombas nucleares, mas não abrirá mão de seu direito a um programa nuclear pacífico.

“Nem armas nucleares nem abrir mão do conhecimento nuclear”, disse ele.

Após sete meses de um conflito que abalou os mercados e levou o Golfo à beira de uma guerra mais ampla, Washington está lançando uma ofensiva econômica sem precedentes, depois que a ação militar não conseguiu forçar Teerã a ceder.

Os líderes iranianos temem que o agravamento da situação econômica, marcado pela alta dos preços, pelo enfraquecimento do comércio e ​pela pressão sobre a renda das famílias, possa reacender a agitação em todo o país que tem desafiado repetidamente a ‌República Islâmica.

O Estreito de Ormuz, por onde passa ⁠um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, tornou-se o foco das tensões entre o Irã e os EUA.

Teerã comunicou suas condições para reabrir a via navegável estratégica aos Estados Unidos por meio ⁠de mediadores, disseram fontes iranianas à Reuters.

“Não pode ser que todos se ⁠beneficiem do Estreito de Ormuz enquanto nos é negado ⁠o acesso à navegação ⁠por ​essa via navegável. A presença permanente de frotas hostis e a expansão da guerra não levarão à paz”, disse Pezeshkian.

Reuters

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