Queda de núcleos de inflação é bastante lenta, precisamos insistir, diz Campos Neto
Queda de núcleos de inflação é bastante lenta, precisamos insistir, diz Campos Neto
Reuters
05/06/2023
Atualizada em 05/06/2023
(Reuters) - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta segunda-feira que a inflação está melhorando, mas ainda de forma lenta, principalmente no caso dos núcleos, que mede os preços menos voláteis e ele destacou terem queda 'bastante lenta'.
'Precisamos insistir', disse Campos Neto em seminário a cooperativas na cidade de Guaxupé (MG).
Ele afirmou ainda que há um 'problema de expectativas de inflação de longo prazo, que estão altas'.
'Pela primeira vez na história, o Brasil tem uma média de inflação muito menor que a do mundo desenvolvido', afirmou. 'A
autonomia do BC se mostrou eficiente. O principal objetivo do BC é fazer com que inflação fique na meta.'
Durante sua apresentação, Campos Neto ponderou que em grande parte do mundo a inflação 'cheia' está caindo, assim como a inflação de energia. Ao mesmo tempo, qualificou como 'bastante lenta' a queda dos núcleos de inflação - algo que ele vem pontuando em falas recentes ao avaliar a situação brasileira.
Campos Neto também voltou a dizer que o Brasil foi um dos primeiros países a elevar sua taxa de juros durante a pandemia, para combater a inflação.
'Neste processo de luta contra a inflação, quanto mais rápido você faz, melhor', afirmou, ao abordar o custo social da alta de juros. 'A percepção, o 'timing' (momento) e a eficiência são super importantes', acrescentou.
No encerramento de sua apresentação, Campos Neto voltou a tratar da inflação e fez menção às críticas que o BC vêm recebendo por manter a taxa básica Selic em 13,75% ao ano.
'O BC subiu juros para combater a inflação, mas o BC não é só juros. Se não fosse o BC, não teríamos o PIX', disse Campos Neto, citando ainda outras ações desenvolvidas pela autarquia, como as voltadas para o cooperativismo de crédito.
'Às vezes, ficamos sentidos de ver tantas críticas ao BC, que é um órgão técnico que faz entregas importantes à sociedade', completou.
Os comentários de Campos Neto vêm em um momento em que o BC segue sendo criticado por membros do governo Lula por manter a Selic em patamares elevados. O argumento do governo é o de que já haveria espaço para a instituição iniciar o ciclo de cortes da Selic.
CRÉDITO
Em sua fala nesta segunda-feira, Campos Neto também abordou o atual cenário do crédito no país. Segundo ele, após crescer perto de 13,5% ao ano, o crédito deve ter expansão entre 7% e 8% em 2023.
'A desaceleração de crédito no Brasil tem sido até certo ponto moderada', avaliou.
'Tivemos uma melhoria no custo de crédito, mas é uma melhoria pequena. Temos que melhorar muito', afirmou em outro momento.
A abordar o crescimento econômico, ele avaliou que o setor de serviços está 'bastante forte' no Brasil, enquanto a indústria 'tem andado de lado, com a indústria automotiva em queda'.
Campos Neto visitou nesta segunda-feira a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), em Guaxupé, no interior de Minas Gerais.
(Por Fabrício de Castro)
Reuters

