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Recuperação da China tropeça com perda de força do consumo e da produção

Recuperação da China tropeça com perda de força do consumo e da produção

Reuters

17/08/2026

Placeholder - loading - Área comercial em Xangai 28 de setembro de 2024. REUTERS/Tingshu Wang
Área comercial em Xangai 28 de setembro de 2024. REUTERS/Tingshu Wang

PEQUIM, 17 Ago (Reuters) - A economia da China perdeu ​impulso no início do segundo semestre, com a produção industrial e as vendas no varejo apresentando desaceleração, conforme problemas causados pelo clima extremo e a fraqueza da demanda interna renovam a pressão sobre as autoridades para que intensifiquem os estímulos.

Os dados decepcionantes, após um crescimento no segundo trimestre que desacelerou para o menor nível em três anos e meio, destacam a dependência contínua da China das exportações para compensar a fraqueza do consumo e dos investimentos, mesmo diante dos obstáculos causados pelas tarifas dos EUA e pelo conflito no Oriente Médio.

A produção industrial cresceu 4,5% no mês passado em relação ao ⁠mesmo período ⁠do ano anterior, em comparação com 5,3% ​em junho, ‌segundo dados divulgados nesta segunda-feira pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS), ficando abaixo da previsão de 4,8% de crescimento em pesquisa da Reuters.

“O desempenho fraco se deve, em parte, ao uso ineficaz das medidas disponíveis. Os gastos fiscais ficaram aquém, por exemplo”, disse Xu Tianchen, economista ⁠sênior da Economist Intelligence Unit. “É um apelo para que as autoridades sejam mais ​ousadas ao gastar o que têm.”

“Deve-se dar atenção ao investimento, cuja queda acentuada não é, ​de forma alguma, aceitável para Pequim”, acrescentou ele.

O investimento em ‌ativos fixos contraiu 6,7% ​nos primeiros ⁠sete meses de 2026, em comparação com uma queda esperada de 6%. Ele caiu 5,7% no período de janeiro a junho.

Fu Linghui, porta-voz do escritório de estatísticas, afirmou em uma coletiva de imprensa que ​as autoridades intensificarão os ajustes nas políticas anticíclicas para impulsionar a demanda interna.

Fazer com que a população de cerca de 1,4 bilhão de chineses volte a gastar não será fácil enquanto o setor imobiliário do país permanecer em recessão, com os preços das casas novas em julho apresentando queda ​de 3,2% em relação ao ano anterior e de 0,1% ante junho.

Economistas estimam que cerca de 52% da riqueza das famílias esteja atrelada ao setor imobiliário, uma parcela que vem diminuindo nos últimos anos, à medida que a prolongada crise imobiliária tem levado os investidores a buscar o ouro e outros ativos.

As vendas no varejo cresceram 0,6%, desacelerando em relação ao aumento de 1% registrado em junho, apesar dos gastos com turismo nas férias de verão. Analistas previam expansão de 1,5%.

A queda foi “em ​parte apenas uma correção do programa de troca de bens de consumo, que impulsionou as vendas há um ‌ano ao antecipar a demanda”, disse Julian ⁠Evans-Pritchard, chefe de economia chinesa da Capital Economics.

As autoridades também estão tendo que lidar com fatores além de seu controle, como o clima.

A produção industrial e as vendas no varejo provavelmente ⁠foram prejudicadas por condições climáticas extremas e incomuns no mês passado, ⁠com três tufões atingindo o continente e milhões ⁠de pessoas sendo ⁠realocadas ​nos centros industriais do leste e do sul da China.

(Reportagem de Kevin Yao, Joe Cash e Ethan Wang)

Reuters

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