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Rússia aprovou treinamento militar secreto chinês em alto nível, segundo fontes

Rússia aprovou treinamento militar secreto chinês em alto nível, segundo fontes

Reuters

01/07/2026

Placeholder - loading - Presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente chinês, Xi Jinping   20 de maio de 2026   REUTERS/Maxim Shemetov
Presidente russo, Vladimir Putin, e o presidente chinês, Xi Jinping 20 de maio de 2026 REUTERS/Maxim Shemetov

1 Jul (Reuters) - O treinamento militar secreto realizado ​pela China com as forças russas no ano passado foi aprovado pessoalmente pelo ministro da Defesa do presidente Vladimir Putin e envolveu diretamente pelo menos quatro generais russos e chineses, segundo duas autoridades europeias e documentos aos quais a Reuters teve acesso.

As autoridades afirmaram que o envolvimento de figuras de tão alto escalão em treinamentos ligados à guerra na Ucrânia sinaliza a importância dessa cooperação para Rússia e China, o que causou alarme na Europa, mesmo com Pequim negando que isso tenha ocorrido.

Um documento russo confidencial ao qual a Reuters ⁠teve acesso ⁠referia-se diretamente a um decreto interno ​emitido pelo ‌ministro da Defesa, Andrei Belousov, em agosto de 2025.

O documento afirmava que, de acordo com uma decisão de Belousov, uma delegação das Forças Armadas da Rússia viajou para a China a fim de participar de exercícios de treinamento nas ⁠instalações do Exército Popular de Libertação (EPL).

TREINAMENTO EM GUERRA RADIOLÓGICA, BIOLÓGICA E QUÍMICA

O mesmo ​relatório detalhou um dos cursos de treinamento — uma sessão de três semanas focada ​em proteção radiológica, química e biológica em uma ‌instalação militar em Pequim, ​em novembro.

O ⁠relatório e um segundo documento descreveram e exibiram imagens de soldados russos recebendo instruções de um instrutor chinês, observando um modelo de reator nuclear e aprendendo sobre “reconhecimento químico”, “reconhecimento de radiação” e ​proteção de sistemas de ventilação contra contaminação.

A inclusão do treinamento em guerra radiológica, biológica e química destacou a natureza estratégica dos intercâmbios, afirmou uma das autoridades europeias, observando que o tema era particularmente delicado para as forças armadas em geral.

Os ministérios da Defesa ​da Rússia e da China não responderam aos pedidos de comentários para esta reportagem.

O Ministério das Relações Exteriores da China disse em um comunicado que sua posição sobre a crise na Ucrânia permanece consistente.

“As alegações em questão são totalmente infundadas”, acrescentou, referindo-se aos detalhes contidos nesta reportagem.

Pequim afirma ser neutra na guerra da Rússia contra a Ucrânia e se apresenta como mediadora da paz.

De acordo com uma reportagem da Reuters do mês passado, citando ​agências de inteligência europeias e documentos militares, a China treinou, em novembro, cerca de 200 ‌militares russos, alguns dos quais se juntaram ⁠desde então à guerra na Ucrânia.

O Kremlin se recusou a comentar essa reportagem, mas reclamou de “informações falsas” publicadas no Ocidente.

A chefe de política externa da União Europeia, Kaja ⁠Kallas, afirmou em 15 de junho que Bruxelas havia ⁠confirmado, por meio de seus próprios canais, ⁠que o treinamento ⁠havia ​ocorrido e que agora estava avaliando as implicações.

Pequim descreveu os comentários dela como “nada além de calúnias”.

Reuters

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