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Rússia diz que Otan gera pânico ao declarar que Moscou e Pequim ameaçam Groenlândia

Rússia diz que Otan gera pânico ao declarar que Moscou e Pequim ameaçam Groenlândia

Reuters

15/01/2026

Placeholder - loading - Bandeira da Groenlândia em Copenhagen, na Dinamarca 08/01/2026 Ritzau Scanpix/Ida Marie Odgaard/via REUTERS
Bandeira da Groenlândia em Copenhagen, na Dinamarca 08/01/2026 Ritzau Scanpix/Ida Marie Odgaard/via REUTERS

Por Andrew Osborn

MOSCOU, 15 Jan (Reuters) - A Rússia afirmou ⁠nesta quinta-feira que a declaração da Otan sobre Moscou e Pequim representarem uma ameaça à Groenlândia é um mito criado para inflamar artificialmente o pânico, acrescentando ser extremamente perigosa a política da aliança ocidental de escalada do confronto no Ártico.

A declaração da Rússia surge na sequência de discursos cada vez mais estridentes do presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou querer que o país, que já possui instalações militares na Groenlândia, assuma o controle do território ultramarino dinamarquês por razões de segurança nacional.

Trump argumenta que a Dinamarca, cujas ​tropas são responsáveis pela defesa da Groenlândia, não ⁠está à ⁠altura da tarefa, algo que Copenhague rejeita.

Alguns países europeus, incluindo França, Alemanha, Noruega e Suécia, começaram a enviar tropas para a Groenlândia em demonstração de apoio a Nuuk e a Copenhague, que estão organizando um exercício militar na região.

A Rússia, que nos últimos anos tem se empenhado em reabrir e ‌modernizar uma extensa rede de bases militares no Ártico, afirmou em comunicado nesta ​quinta-feira que acompanha com séria preocupação o desenvolvimento da ‌situação na Groenlândia ​e pediu ​que toda a região do Ártico permaneça pacífica e estável.

'A Otan embarcou em um processo de militarização acelerada do Norte, reforçando sua presença militar na região sob o pretexto fictício ​de uma crescente ameaça de Moscou e Pequim', afirmou a embaixada da Rússia na Bélgica, país onde está sediada a aliança militar liderada pelos EUA, em um comunicado ao jornal Izvestia.

'Podemos constatar que a aliança está utilizando declarações de alto nível de Washington sobre a questão da Groenlândia unicamente para promover uma agenda anti-Rússia e anti-China', afirmou, listando declarações europeias recentes sobre a defesa da Groenlândia.

'Os idealizadores desses planos belicosos apelam para desafios míticos que eles mesmos criam', afirmou a embaixada, observando que até mesmo diplomatas ocidentais com acesso a relatórios de inteligência da Otan citados na mídia reconheceram que nenhum submarino russo ou chinês foi avistado perto da Groenlândia nos últimos anos.

'Isto expõe ⁠a artificialidade da histeria que está sendo fomentada', dizia o texto.

A declaração não criticou diretamente Trump, ‌no entanto, num momento em que ⁠ele continua sendo um interlocutor fundamental para Moscou nos esforços para alcançar um acordo de paz na Ucrânia. Em vez disso, direcionou suas críticas à Otan como ‍instituição e aos seus Estados-membros europeus, também acusados de obstruir os esforços de paz na Ucrânia.

'Consideramos a política da aliança ​de ‌intensificar o confronto no Ártico contraproducente e extremamente perigosa', afirmou a embaixada.

(Reportagem de Andrew Osborn)

Reuters

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