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Supremo Tribunal da Rússia impede partido antigerra de participar das eleições parlamentares

Supremo Tribunal da Rússia impede partido antigerra de participar das eleições parlamentares

Reuters

10/08/2026

Placeholder - loading - O presidente do partido político russo Yabloko, Nikolai Rybakov, com advogados durante audiência no Supremo Tribunal Federal russo em Moscou, Rússia 10 de agosto de 2026 REUTERS/Yulia Morozova
O presidente do partido político russo Yabloko, Nikolai Rybakov, com advogados durante audiência no Supremo Tribunal Federal russo em Moscou, Rússia 10 de agosto de 2026 REUTERS/Yulia Morozova

Atualizada em  10/08/2026

LONDRES, 10 Ago (Reuters) - A Suprema Corte da Rússia impediu nesta ​segunda-feira o partido liberal Yabloko de concorrer às eleições parlamentares de setembro, excluindo o único partido oficialmente registrado que se opõe à guerra de Moscou na Ucrânia.

Mais de quatro anos após a Rússia ter iniciado sua guerra em grande escala na Ucrânia, a decisão destaca a intolerância das autoridades em relação às opiniões contrárias à guerra e restringe ainda mais o espaço já limitado para a dissidência na política russa.

“Excluir o Yabloko da eleição significa recusar o diálogo com pessoas que fazem perguntas incômodas para as autoridades”, disse Nikolai Rybakov, líder da legenda, prometendo recorrer da decisão.

O tribunal decidiu a favor de uma ação movida pelo pequeno partido nacionalista pró-Kremlin Rodina, que buscava a exclusão do Yabloko das eleições. O ⁠Rodina alegou que ⁠o Yabloko havia recebido apoio não declarado à ​campanha, inclusive ‌de fontes ocidentais, dentre outras acusações.

Durante uma audiência que durou o dia inteiro, Rybakov afirmou que não havia provas para sustentar as alegações e descreveu o caso como um ataque inconstitucional à liberdade de pensamento por parte de adversários políticos que buscam eliminar os rivais.

Em uma rara atitude de desafio, algumas centenas de ⁠apoiadores -- a maioria jovens -- reuniram-se do lado de fora do tribunal enquanto a polícia permanecia ​de prontidão. Alguns carregavam maçãs para demonstrar sua afiliação ao Yabloko, que significa “maçã” em russo. Um deles usava ​uma bandeira russa como capa.

Outrora uma das principais forças liberais na ‌Rússia pós-soviética, o Yabloko conta ​agora ⁠com apenas alguns assentos regionais e nenhum no Parlamento nacional, onde o “Rússia Unida”, apoiado por Putin, e outros partidos amplamente pró-Kremlin devem manter seu domínio após a eleição de setembro.

Mas a campanha eleitoral proporcionou ao Yabloko uma plataforma para atrair mais ​atenção do que o habitual a seu apelo para que a Rússia assine um acordo de cessar-fogo, algo que o Kremlin tem descartado repetidamente, afirmando que deseja um acordo abrangente que atenda às suas próprias condições.

Do lado de fora do tribunal, a apoiadora Yevgeniya disse que se sentia na obrigação de comparecer.

'Achamos essencial mostrar que somos muitos, que ​estamos unidos em nosso apoio a este partido, porque todos queremos a paz.'

APOIO À GUERRA

A medida para excluir o Yabloko ocorre em um momento politicamente delicado para o Kremlin, com a aproximação das eleições e a guerra sendo cada vez mais sentida na vida cotidiana. Drones ucranianos de longo alcance têm atingido repetidamente infraestruturas energéticas e centros logísticos, prejudicando o abastecimento de combustível e empresas.

Rígidos controles estatais sobre a dissidência dificultam avaliações sobre a oposição pública à guerra, mas a porcentagem de russos que afirmam apoiar as ações de suas Forças Armadas na Ucrânia caiu para 66% ​em julho, nível mais baixo desde fevereiro de 2022, de acordo com o Levada Center, instituto de pesquisa não governamental que consta na ‌lista de agentes estrangeiros de Moscou.

“É óbvio que ⁠a demanda por paz e liberdade se mostrou significativamente mais forte hoje do que as autoridades haviam previsto”, disse Rybakov.

Autoridades russas têm utilizado, invocando interesses de segurança nacional, leis de censura em tempo de guerra cada vez ⁠mais rigorosas para reprimir aqueles que se opõem ao conflito, levando ativistas e ⁠veículos de mídia independentes a deixar o país.

Boris Nadezhdin, ⁠um político que tentou ⁠concorrer ​ao Parlamento com uma plataforma antigerra, foi designado como “agente estrangeiro” no mês passado. Desde então, ele fugiu do país.

(Reportagem da Reuters)

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