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    Embraer estima lucro baixo ou zero nos próximos dois anos

    SÃO PAULO (Reuters) - A Embraer informou nesta quarta-feira que espera ter uma posição líquida de caixa quando concluir a venda do controle de sua divisão de aviação comercial para a Boeing, mas alertou que terá lucro pequeno ou zero nos próximos dois anos.

    A companhia espera que as operações atinjam equilíbrio financeiro descontando pagamento de juros e impostos em 2019, segundo documento enviado ao mercado. A medida, chamada de Ebit, deve subir para entre 2 e 5 por cento da receita em 2020.

    Em 2018, a Embraer não conseguiu cumprir várias de suas projeções, ficando abaixo em pelo menos 250 milhões de dólares da previsão de receita na divisão de aviação executiva e 200 milhões abaixo do previsto na área de defesa.

    A companhia queimou duas vezes mais caixa que o esperado, tendo um fluxo de caixa negativo de cerca de 200 milhões de dólares em 2018. Mas espera reverter o resultado como efeito da entrada de recursos da Boeing e previu fluxo positivo de 1 bilhão de dólares com a conclusão da operação.

    As ações da Embraer exibiam queda de cerca de 3 por cento por volta das 12h15, enquanto o Ibovespa tinha baixa de 0,3 por cento.

    As entregas da divisão de jatos comerciais, que será controlada em 80 por cento pela Boeing a partir de 2020, devem ficar praticamente estáveis neste ano ante 2018, variando entre 85 e 95 aviões.

    A empresa também cortou a projeção de receita de 2018 em 300 milhões de dólares, prejudicada por entregas menores de jatos executivos e incidente com o cargueiro KC-390.

    A companhia afirmou que suas projeções para 2019 consideram custos associados ao acordo com a Boeing.

    A Embraer também divulgou projeções para 2020. A companhia espera que suas receitas caiam cerca de 50 por cento, dada a separação do grupo de sua divisão comercial.

    (Por Marcelo Rochabrun)

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    Bolsonaro mostra preocupação sobre futuro da Embraer, ações despencam

    BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que é favorável à aliança da Embraer com a norte-americana Boeing , mas que tem preocupações sobre o futuro da companhia brasileira nos próximos anos, o que levou a um forte movimento de realização de lucro nas ações ações da fabricante nacional.

    Em evento junto a representantes da Aeronáutica, na Base Aérea de Brasília, Bolsonaro disse que 'seria muito boa essa fusão... mas é uma preocupação nossa daqui cinco anos tudo ser repassado para o outro lado. É um patrimônio nosso'.

    'Sabemos da necessidade dessa fusão, até para que ela (Embraer) consiga competitividade... não venha a se perder com o tempo', acrescentou Bolsonaro, sem informar quando e se usará o poder de veto da União sobre o negócio anunciado no ano passado.

    Pelo estatuto da Embraer, após o acordo anunciado em 17 de dezembro, a União teria 30 dias para se manifestar sobre o acordo com a Boeing. Após esse prazo, o conselho de administração da empresa se reúne para ratificar o acordo e convoca uma assembleia de acionistas em que a União poderá ter mais uma chance de vetar a operação.

    As ações da Embraer que tinham perda ao redor de 1 por cento mais cedo, acentuavam queda após os comentários do presidente, recuando 5,25 por cento às 16h46, maior baixa do Ibovespa

    Para o economista-chefe da gestora Infinity, Jason Vieira, as declarações de Bolsonaro sobre preocupação com o futuro da Embraer abriram espaço para alguns agentes do mercado embolsarem lucros em meio à falta de notícias concretas sobre a fusão com a Boeing. 'Ele (Bolsonaro) só está contradizendo o que já tinha dito antes e falta notícia mais concreta em relação ao futuro da empresa, por isso a realização de lucros', disse Vieira.

    A Embraer aceitou vender 80 por cento de sua divisão de aviação comercial, a principal da empresa, para a Boeing . Um dispositivo do acordo permite que a Embraer possa mais adiante vender os 20 por cento restantes da parceria à Boeing.

    O acordo, que aguarda há meses aprovação do governo e já elevou o valor da divisão comercial da Embraer de 4,75 bilhões para 5,26 bilhões de dólares, não envolve os negócios da empresa brasileira nas áreas de aviação executiva ou de defesa.

    'Os comentários de Bolsonaro pesam um pouco... Qualquer ruído ou preocupação com a última proposta de fusão mexem na ação, embora não atrapalhem (o acordo)', disse o analista da Guide Investimentos Rafael Passos. 'Não vejo nenhum motivo para ele barrar a operação, mas é um ruído que mexe no papel.'

    No final do ano passado, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3) derrubou uma segunda liminar que suspendia a negociação entre a Embraer e a Boeing.

    (Por Lisandra Paraguassu e Anthony Boadle em Brasília, com reportagem adicional Gabriela Mello em São Paulo)

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    Acordo entre Embraer e Boeing enfrenta oposição de investidores e sindicatos

    Por Rodrigo Viga Gaier e Marta Nogueira

    RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A Associação Brasileira de Investidores (Abradin) apresentou uma interpelação à Justiça de São Paulo para questionar a administração da Embraer e a União sobre a necessidade de realização de uma oferta pública de aquisição(OPA) por conta do acordo de venda da principal divisão da companhia para a Boeing.

    O instrumento jurídico tem como função oficializar à Justiça e às partes envolvidas sobre a preocupação da entidade, que pode vir a abrir uma ação caso uma OPA não seja realizada.

    'Entendemos que é uma operação ilegal da forma como está sendo tratada e extremamente prejudicial para a economia brasileira também', disse o presidente da Abradin, Aurelio Valporto à Reuters.

    Além da Abradin, o acordo entre as duas empresas é rejeitado por trabalhadores, que conseguiram na quarta-feira liminar da Justiça de São Paulo que suspende a operação.

    Embraer e Boeing fizeram acordo nesta semana sobre uma operação bilionária que chamam de aliança e na qual a fabricante brasileira vai repassar ao controle da companhia norte-americana 80 por cento de sua divisão de aviação comercial e estabelecer uma outra joint-venture para promover as vendas do cargueiro nacional KC-390.

    Segundo a interpelação apresentada pela Abradin, 'a transação, uma vez efetivada, avilta o que foi 'vendido' aos acionistas da Embraer na operação de pulverização do controle acionário e unificação de ações ordinárias e preferenciais, ocorrida em 2006, ou seja, a questão da limitação estatutária de voto de investidores estrangeiros'.

    'A presente interpelação, portanto, tem o escopo de fazer valer o estatuto da Embraer que, em seu artigo 53, reconhecendo a posição importante do diretor de relações com investidores, atribui-lhe o dever de acompanhar as variações na participação societária dos acionistas da companhia', afirmou a Abradin no documento encaminhado na quarta-feira à Justiça.

    A entidade sustenta que o acordo acertado pelas empresas representa um pacto de 'drop down', uma reorganização societária comum nos Estados Unidos, mas que não seria disciplinada no ordenamento jurídico brasileiro.

    'Como as companhias e a União dizem que não há nada concreto, fizemos a interpelação para que ainda dê tempo de mudar a rota desta história', disse a advogada da Abradin, Izabela Amaral Braga. 'Pelo artigo 254 A da Lei das SA e considerando que está sendo adquirido o controle da Embraer por 'vias tortas', tem que ter a OPA', acrescentou a advogada.

    A União, por meio do presidente da República, precisa dar aval à operação, que tem como uma das justificativas oficiais permitir à Embraer sobreviver em uma indústria de aviação global que viu nos últimos meses a principal rival da companhia brasileira, a canadense Bombardier, unir forças com a europeia Airbus, rival da Boeing.

    'Querem fazer crer que a Embraer se encontra acuada no mercado e ela não se encontra. A verdade é que o Brasil está abrindo mão de projetar aeronaves que venham a concorrer no maior mercado mundial, que é o segmento de 150 a 220 passageiros ocupados pelos 737 e A320. Com o projeto do KC-390, de fuselagem larga, estamos prontos para ingressar neste segmento e o que a Boeing está fazendo é tirar um concorrente', disse Valporto.

    Procurada, a Embraer afirmou que 'tomará todas as medidas judiciais cabíveis para reverter a referida decisão'. A Boeing não se manifestou.

    LIMINAR SUSPENDE

    Na segunda-feira, Embraer e Boeing acertaram os termos do negócio, em que o valor considerado para toda a divisão de aviação comercial foi elevado de 4,75 bilhões de dólares para 5,26 bilhões. A operação terá como resultado para a Embraer um caixa de 2,6 bilhões de dólares.

    O acordo ocorreu depois que uma liminar obtida por deputados petistas para suspender o negócio foi derrubada na semana passada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª região (TRF3).

    Porém, na quarta-feira, o mesmo juiz que viu sua liminar ser derrubada a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU), Victorio Giuzio Neto, da 24ª Vara Cível Federal de São Paulo, voltou a suspender o negócio. Desta vez, o juiz concedeu liminar, divulgada nesta quinta-feira, em processo aberto por metalúrgicos, entre eles o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, cidade paulista que abriga um dos principais pólos de produção da Embraer no país, e a Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos.

    Em sua decisão, Giuzio Neto afirma 'não compreender qual a razão de se buscar limitar a decisão de veto proveniente da 'golden share' (detida pela União na Embraer) a apenas duas ou três pessoas do governo e evitar que haja manifestação do Conselho de Defesa Nacional, em tese, o órgão constitucionalmente qualificado para exame do tema'. Além disso, o juiz também entende que a operação proposta pelas empresas não poderia ocorrer sem a realização de uma oferta pública aos acionistas minoritários (OPA).

    A AGU afirmou que vai recorrer da liminar de Giuzio Neto.

    Enquanto a briga pela empresa se desenvolve na Justiça, a empresa tem anunciado contratos de venda de aeronaves no Brasil e no exterior.

    Mais cedo, a Embraer anunciou que conseguiu assinar encomenda firme de 100 jatos E715 junto ao grupo aéreo norte-americano Republic Airways, que havia manifestado intenção de adquirir os aviões em julho deste ano. A encomenda tem valor, a preços de lista das aeronaves, de 4,69 bilhões de dólares, e se soma ao pedido firme de 21 jatos E195-E2, 1,4 bilhão de dólares, anunciado pela brasileira Azul nesta semana.

    As ações da Embraer, que chegaram a subir quase 3 por cento no começo da sessão, exibiam queda de 1,25 por cento às 15h44, cotadas a 20,54 reais. No mesmo horário, o Ibovespa caía 0,35 por cento.

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    Embraer e Boeing aprovam aliança de US$5,3 bi em aviação comercial, aval do governo deve vir em 2019

    SÃO PAULO (Reuters) - Embraer e Boeing acertaram os termos da venda do controle de divisão de aviação comercial da empresa brasileira para o grupo norte-americano, em um acordo avaliado em 5,3 bilhões de dólares, mas um aval final do governo deve acontecer no mandato de Jair Bolsonaro.

    O acordo foi acertado após um memorando de entendimento assinado em julho, que definiu que a Boeing terá 80 por cento da companhia a ser criada com a divisão de aviação comercial da Embraer. A empresa brasileira ficará com o restante e terá poder de decisão sobre 'alguns' temas estratégicos, afirmou a Embraer em comunicado nesta segunda-feira.

    As empresas informaram que aguardam aprovação do governo brasileiro para dar andamento ao negócio. O acordo foi divulgado uma semana depois de o Tribunal Regional Federal da 3ª região (TRF3) ter revogado liminar que impedia as empresas de seguirem com as negociações.

    As ações da Embraer exibiam alta de 3,8 por cento por volta das 12h, enquanto o Ibovespa

    'Nossa visão é que o valor final a ser recebido pela Embraer, líquido de impostos, tem chances de ser mais alto', disseram analistas do BTG Pactual em relatório. 'O anúncio é um marco positivo e melhora os riscos quanto ao preço (valuation) líquido da (divisão de) aviação comercial, tanto em termos dos resultados finais que a Embraer deve receber quanto de uma opção de venda mais valiosa', afirmaram Renato Mimica e Samuel Alves.

    Em teleconferência com analistas, executivos da Embraer afirmaram que a companhia terá 2,6 bilhões de dólares em caixa após a conclusão do acordo com a parceira norte-americana. Disseram ainda que seus atuais títulos de dívida serão movidos para a joint venture.

    Entre os temas estratégicos em que a Embraer poderia ter poder decisório estaria uma eventual transferência das operações da joint-venture do Brasil.

    Pelos termos do acordo, Boeing e Embraer também acertaram criar uma segunda joint-venture para promover a venda do cargueiro KC-390, a maior aeronave já desenvolvida no Brasil. Nesta joint-venture, a Embraer terá 51 por cento de participação e a Boeing o restante.

    O acordo na divisão comercial dá à Embraer opção de vender sua participação a qualquer momento. Mas foi definido um período de 'lock up' de 10 anos e, caso a Embraer exerça a opção antes disso, o preço por ação a ser pago será igual ao da data de fechamento do negócio ajustado pela inflação nos EUA. Depois disso, o preço será o do valor justo no momento do exercício.

    As empresas mantiveram acerto anterior que previa que a joint-venture na aviação comercial será sediada no Brasil e reportará diretamente ao presidente-executivo da Boeing, hoje sob comando de Dennis Muilenburg.

    As empresas estimam que as sinergias anuais com a joint-venture de aviação comercial devem chegar a cerca de 150 milhões de dólares por ano, excluídos impostos, até o terceiro ano de operação. A nova empresa somente deverá contribuir para os resultados da Boeing a partir de 2021.

    Na semana passada, deputados petistas que moveram a ação que resultou na liminar, posteriormente cassada, disseram que o negócio 'significa o fim da Embraer no Brasil'. Para o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), 'a tendência é a empresa deixar de funcionar no Brasil, talvez se transformar em um mero departamento de manutenção aqui'. Ele avaliou ainda que o negócio 'implica prejuízo ao sistema de defesa brasileiro'.

    O presidente-executivo da Embraer, Paulo Cesar de Souza e Silva, disse nesta segunda-feira que a operação será de grande valor para o Brasil e para a indústria aeroespacial. 'A aliança fortalecerá ambas as empresas no mercado global e está alinhada à nossa estratégia de crescimento sustentável de longo prazo'.

    O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida, afirmou que a análise pelo governo do negócio poderá terminar no início do mandato do presidente eleito Jair Bolsonaro, pois o processo pode se estender para além de duas semanas.

    (Por Alberto Alerigi Jr., com reportagem adicional de Marcela Ayres em Brasília)

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    Justiça derruba liminar que impedia venda de divisão comercial da Embraer para Boeing

    SÃO PAULO (Reuters) - O Tribunal Regional Federal da 3ª região (TRF3) revogou nesta segunda-feira liminar que impedia a Embraer de vender o controle de sua divisão de aviação comercial para a norte-americana Boeing, acolhendo recurso da Advocacia-Geral da União (AGU).

    A liminar havia sido concedida na última quinta-feira pela Justiça Federal de São Paulo, que acolheu parcialmente ação de quatro deputados federais petistas que pediam suspensão imediata das tratativas entre Embraer e Boeing.

    O pedido da AGU requereu suspensão da liminar até o julgamento definitivo da ação movida pelos deputados Paulo Pimenta (RS), Carlos Zarattini (SP), Nelson Pellegrino (BA) e Vicente Cândido (SP). Segundo a AGU, a liminar 'afrontava a separação dos poderes e a ordem política-administrativa, uma vez que impedia a União de decidir' se dará aval ao negócio.

    'O momento para qualquer manifestação da União somente ocorrerá quando for efetivamente submetida a proposta de eventual fusão, e segundo os termos do que vier estipulado na dita proposta, ao conselho de administração da Embraer', ressaltou a AGU no pedido de suspensão.

    Boeing e Embraer anunciaram em julho assinatura de memorando de entendimento para uma transação em que a companhia norte-americana assumirá controle sobre 80 por cento de uma joint venture a ser criada por meio da separação da divisão de jatos comerciais da Embraer, a principal da companhia brasileira.

    O acordo precisa de aprovação do governo brasileiro, que tem direito de veto em assuntos estratégicos da Embraer, mecanismo chamado de golden share.

    O memorando de entendimentos entre as empresas avaliou as operações de aviação comercial da Embraer em 4,75 bilhões de dólares. A fatia da Boeing no negócio é avaliada em 3,8 bilhões de dólares. A Embraer, terceira maior exportadora do Brasil, ficaria com os 20 por cento restantes.

    A ação da Embraer às 15h16 exibia alta de 0,5 por cento, em sessão negativa para a maior parte dos ativos da bolsa paulista. No mesmo horário, o Ibovespa cedia 2,1 por cento.

    Procurado, o deputado federal Carlos Zaratini afirmou que o grupo vai recorrer da decisão do TRF3, por não concordar com a venda da divisão comercial da fabricante brasileira.

    'No nosso modo de ver, a venda significa o fim da Embraer no Brasil. Se toda a parte de aviação comercial for encaminhada para a Boeing, a tendência é a empresa deixar de funcionar no Brasil, talvez se transformar em um mero departamento de manutenção aqui', disse Zarattini

    'O que vinha sendo discutido anteriormente, desde o primeiro governo da presidente Dilma (Rousseff) era uma parceria comercial entre as empresas, para elas atuassem juntas na venda de aeronaves. Isso era uma coisa positiva porque garantiria a ampliação do mercado para a Embraer', disse o deputado, afirmando que a transação como esta proposta agora 'implica prejuízo ao sistema de defesa brasileiro'.

    (Por Aluisio Alves)

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    AGU pede derrubada de liminar que impede negociação entre Embraer e Boeing

    BRASÍLIA (Reuters) - A Advocacia-Geral da União (AGU) recorreu ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) para tentar derrubar a liminar concedida pela Justiça Federal de São Paulo que impede o Conselho de Administração da Embraer de tomar qualquer decisão que permita a separação da área comercial da empresa para formar uma joint venture com a Boeing, informou a assessoria de imprensa da AGU na noite desta sexta-feira.

    Na véspera, o juiz federal paulista Victorio Giuzio Neto atendeu a pedido em ação popular movida por quatro deputados federais petistas que defendiam a suspensão imediata das tratativas entre Embraer e Boeing para criar a nova companhia.

    No recurso ao tribunal, informou a assessoria, a AGU alerta que a decisão do juiz federal afronta a separação dos poderes e a ordem política-administrativa, uma vez que impede a União de decidir no momento oportuno, ou seja, se e quando as tratativas entre as duas companhias estiverem concluídas, se dá o aval para o negócio.

    O recurso cita ainda que o poder de veto se deve à chamada 'golden share' – ação preferencial que o ente público manteve na Embraer durante o processo de privatização da empresa.

    “O momento para qualquer manifestação da acionista União somente ocorrerá quando for efetivamente submetida a proposta de eventual fusão, e segundo os termos do que vier estipulado na dita proposta, ao Conselho de Administração da Embraer”, ressalta a AGU, em trecho do pedido de suspensão.

    O órgão quer suspender os efeitos da liminar até o julgamento definitivo da ação popular proposta para questionar a negociação entre as empresas áreas.

    Ainda segundo a Advocacia-Geral, o Conselho de Administração da Embraer “jamais poderia concretizar sozinho a transferência do negócio de aviação comercial” da empresa para a Boeing.

    “A deliberação do Conselho é apenas a primeira etapa decisória no processo de aprovação da operação, que necessariamente ainda passará pelo crivo (e poder de veto!) da União, da Assembleia Geral da Embraer e das autoridades regulatórias nacionais e internacionais competentes. Esse processo decisório levará meses para ser concluído”, acrescenta a AGU.

    Por fim, a Advocacia-Geral alerta que a liminar também afronta o princípio constitucional da livre iniciativa (ao interferir na negociação entre duas empresas privadas) e coloca em risco a ordem econômica, como demonstra a queda verificada no valor das ações da Embraer após a decisão.

    (Reportagem de Ricardo Brito)

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    Justiça de SP impede venda de área comercial da Embraer para Boeing

    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - A Justiça Federal de São Paulo concedeu liminar impedindo o conselho de administração da Embraer de tomar qualquer decisão que permita a separação da área comercial da empresa para formar uma joint venture com a Boeing.

    A decisão do juiz Victorio Giuzio Neto, obtida na íntegra pela Reuters, foi tomada em ação movida por quatro deputados federais petistas que defendiam a suspensão imediata das tratativas entre Embraer e Boeing para a criar a nova companhia.

    Os deputados petistas autores da ação, que pede a suspensão das negociações das empresas, são Paulo Pimenta (RS), Carlos Zarattini (SP), Nelson Pellegrino (BA) e Vicente Cândido (SP). Em julho, a Embraer havia informado que tinha sido intimada a se manifestar sobre a ação popular.

    Procurada nesta quinta-feira, a Embraer não pode comentar o assunto de imediato.

    Boeing e Embraer anunciaram em julho assinatura de memorando de entendimento para um acordo pelo qual a companhia norte-americana assumirá controle sobre 80 por cento de uma joint venture a ser criada por meio da separação da divisão de jatos comerciais da Embraer, a principal da companhia brasileira.

    O acordo precisa de aprovação do governo brasileiro, que detém direito de veto sobre decisões estratégicas da Embraer, um mecanismo chamado de 'golden share'.

    Na decisão, o juiz federal argumenta que o caso não se trata de uma operação comercial típica da Embraer, mas de uma potencial operação em que a União -- com a criação da nova empresa -- não conservará a 'golden share'.

    Giuzio Neto destacou que, antes da decisão de se criar a parceria, é necessário que se tenha uma manifestação do Conselho de Defesa Nacional (CDN), órgão consultivo do presidente da República porque a operação também envolve interesses militares. Esse conselho é formado por ministros de Estado e comandantes das Forças Armadas.

    'Há, no caso, evidente necessidade de salvaguardas visando a proteção de segredos militares (que não são só da Aeronáutica, mas também do Exército e da Marinha) e sobre as quais o CDN encontra-se, nos termos constitucionais, obrigado a manifestar-se', disse o juiz.

    O magistrado observou na decisão que o fato de se estar próximo ao início do recesso do poder Judiciário e da posse de um novo presidente da República, ao mesmo tempo com 'ampla renovação' do poder Legislativo, torna 'igualmente recomendável' evitar se tomar qualquer ato concreto que seja difícil de reverter depois no caso da criação da nova empresa.

    Os defensores da operação, incluindo o atual presidente do BNDES, Dyogo Oliveira, e o ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, afirmam que o negócio é necessário para dar fôlego para a Embraer continuar investindo em um mercado global em que sua rival direta, a Bombardier, acertou no ano passado uma parceria com a principal concorrente da Boeing, o grupo europeu Airbus.

    O memorando de entendimentos entre as duas empresas avaliou as operações de aviação comercial da Embraer em 4,75 bilhões de dólares. A fatia da Boeing no negócio é avaliada em 3,8 bilhões de dólares. A Embraer, terceira maior exportadora do Brasil, ficará com os 20 por cento restantes da nova empresa.

    As ações da Embraer fecharam em queda de 2,33 por cento nesta quinta-feira, enquanto o Ibovespa recuou 0,22 por cento.

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