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Trump promete “poderio militar sem igual” contra cartéis de drogas

Trump promete “poderio militar sem igual” contra cartéis de drogas

Reuters

22/09/2026

Placeholder - loading - Trump participa de encontro do grupo 'Escudo da América', em Nova York 22 de setembro de 2026 REUTERS/Kylie Cooper
Trump participa de encontro do grupo 'Escudo da América', em Nova York 22 de setembro de 2026 REUTERS/Kylie Cooper

Por Simon Lewis

NAÇÕES UNIDAS, 22 Set (Reuters) - O presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu nesta ​terça-feira reafirmar o domínio dos EUA no Hemisfério Ocidental e utilizar “poderio militar sem igual” contra as ameaças na região, ao reunir aliados em torno de uma campanha cada vez mais ampla contra os cartéis de drogas.

Ao se dirigir aos líderes mundiais na Assembleia Geral da ONU, Trump classificou os cartéis de drogas como “o Isis (Estado Islâmico) do Hemisfério Ocidental” e pediu uma resposta mais firme ao crime transnacional.

Mais tarde, na sede da ONU, Trump se reuniu com líderes e ministros das Relações Exteriores de 14 países da América Latina e do Caribe que aderiram ao “Escudo das Américas”, uma coalizão anticartéis lançada por seu governo. Ele pediu ao grupo que se unisse aos EUA para designar 24 grupos narcotraficantes como ameaças à estabilidade e impor sanções contra eles.

Os países emitiram posteriormente uma declaração comprometendo-se a tomar medidas no sentido dessas sanções conjuntas.

A operação dos EUA que capturou o líder venezuelano Nicolás Maduro e um acordo petrolífero subsequente com o governo ⁠interino ressaltaram a disposição dos ⁠EUA de agir na região, disse Trump aos líderes mundiais ​na Assembleia Geral.

“Nossas ‌ações na Venezuela são prova de que os Estados Unidos não permitirão mais que ameaças à América ganhem espaço em qualquer lugar do Hemisfério Ocidental e, se necessário, usaremos nosso poderio militar sem igual para garantir os interesses nacionais vitais dos Estados Unidos”, afirmou.

A Estratégia de Segurança Nacional de Trump, divulgada no final do ano passado, traçou planos para uma versão renovada da Doutrina Monroe — a política do século 19 que ⁠afirma a primazia dos EUA em todas as Américas e que os críticos há muito associam a décadas de intervenção norte-americana. ​O próprio Trump passou a chamá-la de “Doutrina Donroe”, um trocadilho com seu próprio nome, depois que a expressão ganhou popularidade na mídia conservadora.

Trump também ​falou, muitas vezes em termos vagos, em retomar o Canal do Panamá e anexar ‌a Groenlândia e o Canadá. Nesta terça-feira, ​ele ⁠assinou um acordo sobre a Groenlândia que não chega a atender à sua exigência de que a ilha se torne território dos EUA para conter a crescente presença da Rússia e da China no Ártico.

Ainda assim, o foco de Trump no Hemisfério Ocidental tem suscitado preocupações quanto a um projeto neocolonial.

O presidente Luiz Inácio Lula ​da Silva, em seu discurso na ONU nesta manhã, reagiu com indignação a essa abordagem, alertando os países da América Latina e do Caribe sobre “novas tentações hegemônicas”. “O Brasil não é quintal de ninguém”, afirmou Lula.

ESCUDO DAS AMÉRICAS

O encontro do grupo Escudo das Américas foi a mais recente iniciativa dos EUA para mobilizar as nações latino-americanas em torno de uma abordagem mais agressiva, que incluiu ataques militares dos EUA a embarcações de contrabando de drogas desde o outono passado e maior ​cooperação com os países latino-americanos.

Trump lançou o grupo em março, reunindo mais de uma dúzia de líderes regionais na Flórida.

A coalizão inclui governos estreitamente alinhados com Trump, entre eles países como Argentina, Equador e El Salvador, cujos líderes Trump elogiou ou apoiou como candidatos. Colômbia e Peru aderiram depois que presidentes alinhados a Trump assumiram o poder nos últimos meses.

Brasil e México estão entre os países que não aderiram.

Desde que voltou ao poder no início do ano passado, Trump designou os cartéis de drogas como organizações terroristas estrangeiras e lançou dezenas de ataques mortais contra embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental que, segundo autoridades norte-americanas, transportam narcóticos com destino aos EUA. Grupos de direitos humanos afirmaram que os ataques, que mataram mais de 220 pessoas, equivalem a execuções extrajudiciais.

“Durante décadas, ​outros governos permitiram que grande parte desta região fosse dominada por gangues cruéis e cartéis de drogas sanguinários, desestabilizada pela migração descontrolada e infiltrada por adversários estrangeiros ‌hostis – adversários estrangeiros doentios e dementes –, mas isso acabou”, disse Trump ⁠à ONU, acrescentando que estava “reafirmando o poder americano' para tornar a região mais segura ao eliminar os cartéis.

“Assim como o Isis, eles devem ser mortos, exilados ou detidos como combatentes inimigos, sem possibilidade de libertação”, disse Trump, “e é isso que estamos fazendo”.

Trump também destacou a campanha de pressão de seu governo ⁠contra a Cuba comunista, acusou seus líderes de fomentar grupos de esquerda “subversivos e radicais” nos Estados ⁠Unidos e disse que o secretário de Estado Marco Rubio estava “em negociações avançadas ⁠com Cuba”.

Os cartéis de drogas ⁠que ​controlam territórios no México, vizinho dos EUA, eram “inaceitáveis”, disse ele, insistindo que o governo daquele país “precisa recuperar o controle de seu solo das mãos dos inimigos da humanidade”.

Reuters

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