Ucrânia pressiona por convite da Otan no aniversário de 30 anos de fracassado acordo nuclear
Ucrânia pressiona por convite da Otan no aniversário de 30 anos de fracassado acordo nuclear
Reuters
03/12/2024
Por Tom Balmforth
KIEV (Reuters) - A Ucrânia criticou nesta terça-feira um acordo firmado há 30 anos, no qual o país renunciou suas armas nucleares em troca de garantias de segurança que nunca se concretizaram, à medida que busca receber um convite de adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Kiev está pedindo desesperadamente por garantias de segurança robustas para protegê-la de uma nova agressão russa, uma vez que o retorno do presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, à Casa Branca aumenta os temores de um acordo rápido pelo fim da guerra que deixaria a Ucrânia exposta.
O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia apontou para o Memorando de Budapeste de 1994, que viu Kiev abrir mão do terceiro maior arsenal nuclear do mundo em troca de garantias de segurança, inclusive da Rússia, após a dissolução da União Soviética, em 1991.
'Hoje, o Memorando de Budapeste é um monumento à falta de visão na tomada de decisões estratégicas de segurança', escreveu o ministério em uma declaração, marcando o aniversário do acordo de 5 de dezembro de 1994.
O ministério disse que o acordo 'deve servir como um lembrete para os atuais líderes da comunidade euro-atlântica de que a construção de uma arquitetura de segurança europeia às custas dos interesses da Ucrânia, em vez de levá-los em consideração, está destinada ao fracasso'.
A Ucrânia tem denunciado o memorando desde 2014, muito antes da invasão de 2022, quando as tropas russas tomaram e anexaram a península da Crimeia, antes de apoiar representantes paramilitares no leste do país.
Os combates no leste da Ucrânia, que mataram milhares de pessoas, foram levados a um cessar-fogo incômodo, seguido por dezenas de rodadas de negociações sob o que ficou conhecido como Acordos de Minsk.
Mesmo depois de quase três anos de guerra total, Kiev tem se recusado a aceitar a perspectiva de um retorno a negociações semelhantes que poderiam resultar em um cessar-fogo temporário, mas que deixariam em aberto a perspectiva de uma nova invasão russa.
'Chega do Memorando de Budapeste. Chega dos Acordos de Minsk. Duas vezes é o suficiente, não podemos cair na mesma armadilha uma terceira vez. Simplesmente não temos o direito de fazer isso', disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy.
Kiev deseja que os membros da Otan emitam um convite para a adesão do país em uma reunião dos ministros das Relações Exteriores da aliança que começa nesta terça-feira, enquanto a invasão se aproxima da marca de três anos e a Rússia obtém ganhos no campo de batalha.
Reuters

