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Volkswagen evita embate interno com acordo de reestruturação que prevê novos cortes de vagas

Volkswagen evita embate interno com acordo de reestruturação que prevê novos cortes de vagas

Reuters

04/09/2026

Placeholder - loading - Linha de produção de modelos de carros elétricos do Grupo Volkswagen em Zwickau, na Alemanha 26 de abril de 2022 REUTERS/Matthias Rietschel
Linha de produção de modelos de carros elétricos do Grupo Volkswagen em Zwickau, na Alemanha 26 de abril de 2022 REUTERS/Matthias Rietschel

Por Christoph Steitz e Christina Amann

FRANKFURT/BERLIM, 4 Set (Reuters) - As ações ​da Volkswagen atingiram uma máxima de 11 semanas nesta sexta-feira, depois que o conselho de supervisão da maior montadora da Europa fechou, na noite da véspera, um ambicioso acordo de reestruturação, que evitou um conflito entre os principais grupos de interesse da empresa, mas inclui amplos cortes de empregos.

O acordo, que prevê a maior reestruturação nos 89 anos de história do grupo, inclui mais 50 mil cortes de postos de trabalho, elevando para 100 mil o total de reduções acordadas, e deixa em aberto o futuro de quatro fábricas da empresa na Alemanha.

A Volkswagen, assim como a maioria de suas rivais europeias, enfrenta pressão das tarifas elevadas nos Estados Unidos, da queda das vendas na China, que antes era sua ⁠principal fonte de ⁠lucro, e da entrada agressiva de concorrentes asiáticos ​no estagnado mercado ‌europeu. Todos esses fatores corroeram a margem operacional do grupo, que ficou em 3,8% no primeiro semestre, ante 7,9% em 2022, seu melhor nível da última década.

Acionistas e analistas demonstraram alívio pelo fato de a Volkswagen, com uma força de trabalho de mais de 650 mil pessoas, uma estrutura complexa e grupos de interesse ⁠influentes, ainda conseguir tomar decisões de grande alcance em momentos de crise.

As ações da Volkswagen ​subiam mais de 7% por volta de 9h (horário de Brasília), depois de terem atingido mais cedo o maior ​nível desde 18 de junho.

Ingo Speich, da Deka Investment, acionista da ‌Volkswagen, classificou o acordo como ​um marco: “isso ⁠significa que a Volkswagen saiu da zona de perigo? Definitivamente não. Agora vem a parte difícil: a execução.”

Moritz Kronenberger, da Union Investment, também comemorou o acordo, mas disse que agora a responsabilidade recai totalmente sobre a administração: “a bola está agora inteiramente com ​a diretoria executiva. Não há mais desculpas.”

A administração, que é minoria no conselho de supervisão em relação aos sindicatos e ao Estado da Baixa Saxônia, chegou a considerar convocar uma assembleia de acionistas para aprovar suas exigências, o que teria representado um conflito sem precedentes entre as partes interessadas da montadora.

Embora o acordo não detalhe onde nem quando os ​cortes ocorrerão, o presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, já havia afirmado que metade das economias precisaria vir da Alemanha, sugerindo cerca de 25 mil demissões nas operações locais.

Os detalhes do programa de cortes terão de ser negociados entre a administração e os sindicatos, que garantiram estabilidade no emprego para a maior parte das operações alemãs da Volkswagen até 2030 como parte de um pacote anterior de reestruturação firmado em 2024.

“Estamos satisfeitos que este acordo tenha sido alcançado”, escreveram analistas do Citi. “No entanto, ele não altera automaticamente o ambiente competitivo na União Europeia, as contínuas perdas de participação de mercado ​na China nem as pressões dos custos de matérias-primas.”

A Volkswagen buscará alternativas para suas fábricas de Emden, Hanover, Zwickau e Neckarsulm ‌após o encerramento gradual da produção ao longo ⁠da próxima década. Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, as opções podem incluir a mudança de finalidade dessas unidades sob novos proprietários.

Olaf Lies, ministro-presidente da Baixa Saxônia, Estado que detém 20% dos direitos de voto da Volkswagen, afirmou ⁠que o fechamento dessas fábricas não está decidido e que a administração foi ⁠orientada a buscar soluções alternativas.

“Se tivermos de reduzir capacidade, a ⁠conclusão automática não pode ⁠ser ​que ela seja reduzida na Alemanha”, disse ele a jornalistas, embora tenha reconhecido que o setor automotivo europeu enfrenta enorme pressão.

Reuters

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