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Ameaça tarifária de Trump contra Irã pode reabrir disputa com China

Ameaça tarifária de Trump contra Irã pode reabrir disputa com China

Reuters

13/01/2026

Placeholder - loading - Presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, durante reunião na Coreia do Sul 30/09/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein
Presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, durante reunião na Coreia do Sul 30/09/2025 REUTERS/Evelyn Hockstein

Por Joe Cash

PEQUIM, 13 Jan (Reuters) - A ameaça do ⁠presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 25% aos países que negociam com o Irã corre o risco de reabrir velhas feridas com a China, o principal parceiro de Teerã, desafiando a imagem global do presidente chinês, Xi Jinping, e sua determinação em defender os interesses comerciais da China.

O Irã tornou-se um importante ponto de inflamação nos laços entre os EUA e a China durante o primeiro mandato de Trump na Casa Branca, quando Washington reforçou as sanções contra a República Islâmica e colocou a Huawei da China, ​acusada de vender tecnologia ao país, em sua ⁠mira. A ⁠prisão da filha de seu fundador no Canadá, a pedido dos EUA, provocou amargas recriminações que se estenderam pelo restante do governo.

Com o Irã na mira mais uma vez, uma nova tarifa de 25% faria com que as remessas chinesas para os EUA incorressem em taxas superiores a 70%, mais altas do ‌que as tarifas efetivas de 57,5% em vigor antes de os dois líderes fecharem ​um acordo em outubro para diminuir a escalada ‌da guerra comercial.

Ainda não ​está claro ​quais são os países com vínculos comerciais com o Irã que Trump poderá atingir, e ele não mencionou a China. O presidente dos EUA também já fez no passado comentários improvisados ​que ameaçaram alterar a política externa dos EUA sem agir de acordo posteriormente.

'A China é apenas uma desculpa, uma espécie de disfarce para o governo Trump, para impor nova pressão sobre o Irã', disse Wang Jin, membro do think tank Beijing Club for International Dialogue.

'Mas é um exagero, pois a China não tem muitos negócios com o Irã.'

A China reduziu drasticamente as importações iranianas nos últimos anos, de acordo com os dados da alfândega chinesa, com as empresas chinesas cautelosas de serem sancionadas pelo governo dos EUA. A China comprou apenas US$2,9 bilhões em produtos iranianos nos primeiros 11 meses do ano passado, segundo os últimos dados alfandegários, em comparação com um pico de US$21 bilhões em 2018, durante ⁠o primeiro mandato de Trump.

'A China e o Irã não são tão próximos como no imaginário ‌público', disse um acadêmico chinês baseado em ⁠Pequim que assessora o Ministério das Relações Exteriores na política do Irã e pediu anonimato, pois não estava autorizado a falar com a mídia.

A relação comercial entre a ‍China e o Irã é construída em torno do petróleo e, embora Pequim não tenha conseguido ampliar os laços comerciais ​entre ‌os dois países, as relações políticas se estreitaram, acrescentou.

(Reportagem adicional de Laurie Chen e Liz Lee)

Reuters

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