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Ativos brasileiros desabam após eleição e mercado precifica alta da Selic em novembro

Ativos brasileiros desabam após eleição e mercado precifica alta da Selic em novembro

Reuters

26/10/2026

Placeholder - loading - Notas de 200 reais retratadas em Brasília, 2 de setembro de 2020. REUTERS/Adriano Machado
Notas de 200 reais retratadas em Brasília, 2 de setembro de 2020. REUTERS/Adriano Machado

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 26 Out (Reuters) - A manhã desta segunda-feira pós-eleição ​foi de derrocada para os ativos brasileiros e de pessimismo nas mesas de operação, com muitos investidores realizando prejuízos e alterando as apostas para o futuro das políticas monetária e fiscal no Brasil.

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pelo Planalto pegou boa parte dos investidores no contrapé. Na sexta-feira, antes do segundo turno, os ativos brasileiros haviam ganhado força durante a tarde em meio a forte expectativa de que Flávio vencesse.

Nesta segunda-feira, com a reeleição de Lula, o Ibovespa chegou a ceder mais de 15%, o dólar disparou para acima dos R$5,50 e as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) subiram mais de 300 pontos-base em um primeiro momento.

A B3 tentou conter a forte pressão sobre os ativos ao acionar o circuit breaker nos primeiros minutos do pregão de ações, além de ter expandido logo cedo os limites de ⁠alta dos contratos futuros.

Com ⁠o circuit breaker, a B3 suspendeu por 30 minutos ​as negociações de ‌ações, opções e índices, entre outros ativos. No mercado de dólar futuro, a B3 comunicou logo cedo a ampliação de 6% para 8,4% do limite de alta de todos os vencimentos. Depois, ampliou novamente de 8,4% para 12%. Nos DIs, os limites de alta das taxas também foram elevados.

Com essas medidas, as negociações foram interrompidas em vários momentos para que o mercado pudesse encontrar preços de ⁠equilíbrio.

Em outra medida, o Tesouro Nacional informou pela manhã o cancelamento do tradicional leilão de títulos indexados à inflação ​na terça-feira e o cancelamento do leilão de papéis prefixados na quinta-feira. Por outro lado, o Tesouro manteve o leilão de Letras ​Financeiras do Tesouro (LFTs), títulos indexados à taxa básica Selic, previsto para terça-feira. Ao ‌anunciar os cancelamentos, o Tesouro buscou ​não estimular ⁠taxas ainda mais elevadas nos mercados de títulos e de DIs.

No fim da manhã, o Tesouro também realizou um leilão extraordinário de recompra de títulos prefixados, no valor total de cerca de R$7,1 bilhões. Ao recomprar títulos em posse do mercado, o Tesouro atua para suavizar a disparada das taxas.

Passada a ​pressão inicial, às 12h51 o Ibovespa cedia 14,1%, aos 176.155,89 pontos, o dólar à vista tinha alta de 8,81%, aos R$5,4291, e o DI para janeiro de 2031 subia 289 pontos-base, aos 15,53%.

O movimento dos ativos brasileiros devolve ganhos registrados na euforia pós-primeiro turno, quando Flávio ficou à frente de Lula.

Na curva de DIs, as altas das taxas elevaram os prêmios de risco para níveis acima dos vistos antes do primeiro turno, com ​investidores precificando uma piora da situação fiscal no longo prazo.

Boa parte do mercado acreditava que com Flávio no Planalto cresceriam as chances de maior controle das contas públicas -- mesmo que o candidato e seus porta-vozes econômicos não tenham apresentado propostas concretas de ajuste ao longo da campanha.

Assim, a vitória de Lula impulsionou as taxas na ponta longa nesta segunda-feira, com os investidores se posicionando para uma política fiscal menos rígida.

ALTA DA SELIC

Na ponta curta da curva, as taxas também dispararam, alterando a perspectiva para as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sobre a Selic, hoje em 13,75%.

No fim da manhã a curva precificava cerca de 75% de probabilidade de elevação de 25 pontos-base da Selic na próxima ​semana, contra 25% de chance de manutenção. Antes do segundo turno havia quase 100% de probabilidade de corte de 25 pontos-base. Além disso, a curva ‌passou a precificar nova alta de 50 pontos-base em dezembro ⁠e de 25 pontos-base em janeiro.

De acordo com Lais Costa, analista da Empiricus Research, a nova precificação sobre a Selic tem sua racionalidade por conta do dólar, que acima dos R$5,50 exerce maior pressão inflacionária, e da deterioração das expectativas.

O relatório Focus divulgado mais cedo trouxe projeções ⁠calculadas até a última sexta-feira -- portanto antes do segundo turno. Nele, as expectativas de inflação estão ⁠em 5,19% em 2026, 4,34% em 2027 e 3,75% em 2028. ⁠No caso do dólar, a ⁠projeção ​é de R$5,05 no fim deste ano.

Essas projeções tendem a ser revistas nesta semana, já sob a perspectiva de continuidade do governo Lula.

(Edição de Isabel Versiani)

Reuters

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