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Avalanche bolsonarista toma conta do Congresso impulsionada por Flávio

Avalanche bolsonarista toma conta do Congresso impulsionada por Flávio

Reuters

05/10/2026

Placeholder - loading - Pessoas aguardam para votar durante as eleições gerais em um seção eleitoral localizada em uma escola em Brasília 4 de outubro de 2026 REUTERS/Mateus Bonomi
Pessoas aguardam para votar durante as eleições gerais em um seção eleitoral localizada em uma escola em Brasília 4 de outubro de 2026 REUTERS/Mateus Bonomi

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA, 4 Out (Reuters) - O campo bolsonarista emergiu como o principal ​vencedor das eleições para o Congresso neste domingo, ainda que blocos progressistas tenham registrado algum avanço, desenhando um cenário de potencial confronto institucional seja qual for o desfecho do segundo turno da eleição presidencial.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) -- que venceu o primeiro turno -- ainda vão se enfrentar no segundo turno, em 25 de outubro, mas os resultados já divulgados do Senado apontam para um expressivo crescimento do PL e de partidos que abraçam o bolsonarismo.

No caso da eleição para o Senado, encarada como estratégica tanto por bolsonaristas quanto por progressistas, 54 cadeiras das 81 estavam em disputa. O PL, que tem 15 senadores na bancada atual, passa para uma bancada de 28 integrantes em 2027. Entre novos nomes e aqueles que tentaram a reeleição, o PL elegeu 19 senadores neste domingo.

Importantes nomes do bolsonarismo garantiram suas vagas, caso de Michelle Bolsonaro (PL-DF), mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro, e de Carlos Bolsonaro (PL-SC), filho do ⁠ex-presidente.

Nomes de outras legendas que ⁠se aliaram a Flávio também tiveram sucesso, caso de Marcel ​Van Hattem (Novo-RS) ‌e Guilherme Derrite (PP-SP).

Mas Ciro Nogueira (PP), importante liderança política do centrão, perdeu a disputa pelo Senado no Piauí para Marcelo Castro (MDB) e Júlio César (PSD), aliados de Lula. Ciro, que foi ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, perdeu espaço político durante os quatro anos de governo Lula e ainda foi citado em denúncias relacionadas ao banqueiro Daniel Vorcaro.

O PT terá a segunda maior bancada no Senado, mas sem conseguir ampliar o número de seus ⁠componentes, hoje de 9 senadores. Dos seis candidatos eleitos neste domingo, o partido garantiu as vagas de Rui Costa ​e Jaques Wagner na Bahia. Costa foi ministro da Casa Civil de Lula neste terceiro mandato, enquanto Wagner, que também teve seu nome relacionado ​às denúncias em torno de Vorcaro, foi líder do governo no Senado.

Mas outros nomes de ‌peso do petismo foram derrotados na ​disputa pelo ⁠Senado, caso de Gleisi Hoffmann no Paraná, ministra da Secretaria de Relações Institucionais de Lula. As duas vagas do Estado ficaram com Deltan Dallagnol (Novo) e Filipe Barros (PL).

O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP), também está fora do Senado em 2027. Simone Tebet (PSB-SP), ministra do Orçamento e Planejamento de Lula, e Marina Silva (Rede-SP), ministra do ​Meio Ambiente e Mudança do Clima, não foram eleitas em São Paulo.

Levantamento do G1 aponta que o MDB ficará com 8 cadeiras, o PP com 6, assim como o Republicanos, PSD e União terão 5 senadores cada, e o PSB, 4, seguido do Novo com 3 vagas, e do Podemos e do PSDB, com 2 senadores cada. PDT e Rede terão 1 senador.

INSTABILIDADE À VISTA

A nova correlação de forças na Casa sinaliza um potencial para crises institucionais, tendo como ​principal alvo o Supremo Tribunal Federal (STF), já que é atribuição do Senado analisar eventuais pedidos de impeachment de integrantes da corte. Mas também deve ter impacto no funcionamento da Casa ainda neste ano, já que o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deve tentar a reeleição no comando da Casa.

'Empenhado em um processo de reeleição, Davi Alcolumbre, por exemplo, pode ceder a pressões do novo Senado, mais próximo da agenda bolsonarista, com impactos sobre temas como a escala 6x1, pautada para essa semana, e os pedidos de impeachment hoje parados', avaliou panorama da Dharma Political Risk and Strategy.

'O risco, nesse sentido, é o de aumento da instabilidade institucional, já resultante do resultado eleitoral de 2026 na composição do Parlamento em 2027.'

Na Câmara, projeções da Reuters com base em dados do Tribunal ​Superior Eleitoral (TSE) apontam que o PL deve assegurar a maior bancada da Casa com 121 cadeiras, enquanto a federação PT-PCdoB-PV deve se firmar como segunda maior bancada, com ‌78 lugares estimados. Atualmente, o PL conta com 98 deputados e ⁠a federação PT-PCdoB-PV tem 82.

Ainda assim, o centrão deve sofrer variações, mas segue como uma força relevante na Casa.

As projeções apontam que a federação PP-União deve vir com 69 deputados, uma redução em relação aos atuais 98. Outros partidos do centrão, como PSD e Republicanos, devem alcançar bancadas com aproximadamente ⁠40 integrantes. MDB e Podemos devem firmar bancadas próximas de 30 vagas.

A apuração dos votos na Câmara ⁠ainda não está consolidada, uma vez que se trata de eleição proporcional e ⁠há cálculos a serem feitos ⁠levando-se ​em conta quantas cadeiras cada partido conquistou, o quociente eleitoral e o quociente partidário, além da distribuição das sobras de vagas.

(Reportagem de Maria Carolina MarcelloEdição de Alexandre Caverni)

Reuters

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