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EUA e Cuba trocam farpas na ONU antes da votação sobre sanções

EUA e Cuba trocam farpas na ONU antes da votação sobre sanções

Reuters

19/10/2026

Placeholder - loading - Representante permanente de Cuba na ONU, Ernesto Soberón Guzmán 5 de janeiro de 2026 REUTERS/Brendan McDermid
Representante permanente de Cuba na ONU, Ernesto Soberón Guzmán 5 de janeiro de 2026 REUTERS/Brendan McDermid

Por Antoni Slodkowski

NAÇÕES UNIDAS, 19 Out (Reuters) - Os Estados ​Unidos e Cuba trocaram acusações na Organização das Nações Unidas nesta segunda-feira, depois que diplomatas norte-americanos organizaram um evento com a participação de dissidentes cubanos, antes da votação anual da ONU, na próxima semana, sobre uma resolução que pede o fim do embargo dos EUA à ilha.

O embaixador cubano na ONU, Ernesto Soberón Guzmán, e outros representantes gritaram com o embaixador dos EUA na ONU, Mike Waltz, quando ele saía do evento no prédio da ONU, que teve como foco alegações de violações dos direitos humanos por parte do governo cubano.

As tensões entre ⁠as ⁠duas nações estão aumentando antes da votação ​da resolução ‌não vinculativa, que vem sendo aprovada na Assembleia Geral da ONU por ampla maioria todos os anos desde 1992, e em meio à crescente pressão causada pelo bloqueio petrolífero imposto pelos EUA a Cuba.

“Espero que vocês... tenham notado os chamados diplomatas ⁠da embaixada cubana aqui, que permitimos a presença por força de um tratado, ​assediando, gritando, intimidando e filmando não apenas nossos ex-presos políticos recém-libertados, mas também outras ​pessoas”, disse Waltz a repórteres em Nova York.

“Ano ‌após ano, o regime ​cubano vem ⁠à Assembleia Geral e propaga uma mentira por meio de sua resolução anual... Ele usa uma desculpa atrás da outra para justificar sua opressão, para justificar o sofrimento do povo cubano, e ​o que estamos fazendo aqui na missão dos EUA na ONU é expor essas mentiras”, afirmou ele.

A votação está prevista para os dias 27 e 28 de outubro, informaram autoridades.

Os EUA mantêm um embargo comercial contra Cuba há mais de 60 anos, e o governo ​do presidente norte-americano Donald Trump vem intensificando a pressão, após ter recorrido aos militares em janeiro para destituir o presidente venezuelano Nicolás Maduro.

A votação na ONU pode ter peso político, mas somente o Congresso dos EUA pode suspender o embargo da era da Guerra Fria.

Cuba atribuiu às sanções dos EUA a crise em que o país se encontra atolado — a pior recessão econômica em décadas, caracterizada pela escassez de bens básicos, infraestrutura em colapso e inflação galopante.

“Os ​EUA estão agindo como um delinquente internacional, impondo punição coletiva ao povo de Cuba. Estão infligindo ‌imenso sofrimento a toda a população de ⁠uma nação pacífica”, disse Guzmán, o embaixador cubano, em uma reunião improvisada do lado de fora do encontro dos EUA com dissidentes.

No mês passado, Trump afirmou na ONU que ⁠Cuba era um Estado falido e que a liberdade chegaria ⁠à nação insular.

A rede elétrica de Cuba ⁠sofreu um colapso total ⁠no ​mês passado, mergulhando o país na escuridão e deixando milhões sem energia elétrica.

(Reportagem de Antoni Slodkowski; )

Reuters

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