Expectativa é de que Fed mantenha juros inalterados por ora à medida que inflação volta a diminuir
Expectativa é de que Fed mantenha juros inalterados por ora à medida que inflação volta a diminuir
Reuters
12/08/2026
Por Ann Saphir
12 Ago (Reuters) - As autoridades monetárias do Federal Reserve podem não sentir urgência adicional em aumentar as taxas de juros em setembro depois que um relatório do governo mostrou que a inflação dos EUA desacelerou pelo segundo mês consecutivo em julho, mas podem não ter segurança de que a política monetária esteja restritiva o suficiente para manter a tendência de desaceleração.
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 3,4% nos 12 meses até julho, informou o Departamento de Estatísticas do Trabalho nesta quarta-feira, em linha com as expectativas dos economistas. Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, o chamado índice de preços ao consumidor básico aumentou 2,5% nos 12 meses até julho, após alta de 2,6% em junho.
Análise mais aprofundada mostra alguns indícios de ampliação da inflação. Uma queda acentuada nos preços dos hotéis — improvável de ser mantida — impulsionou grande parte da desaceleração mensal da inflação básica, e houve mais categorias de bens básicos com aumento de preços do que em junho, observou o fundador da Inflation Insights, Omair Sharif. Os preços da tecnologia, impulsionados pela demanda por inteligência artificial, dispararam.
O Fed tem como meta uma inflação de 2%, embora utilize um indicador diferente — a variação em 12 meses do índice de preços dos gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês). Sharif e outros analistas estimam que, mesmo com a desaceleração do CPI em julho, o indicador preferido pelo Fed para a inflação subjacente ainda parece estar a caminho de atingir 3%.
Em uma votação de 9 a 3 no mês passado, os formuladores de política monetária do Fed mantiveram a taxa básica de juros na faixa-alvo de 3,50% a 3,75%, onde se encontra desde dezembro. O presidente Kevin Warsh disse pouco sobre o que o levaria a apoiar uma mudança na taxa de juros, levando os investidores a prestarem mais atenção à forma como seus pares avaliam as perspectivas.
Nas semanas desde a decisão, os dissidentes de julho e alguns outros presidentes de bancos do Fed que não votam este ano sobre a política monetária defenderam um aumento da taxa, dada a inflação ainda muito alta.
Já o influente presidente do Fed de Nova York, John Williams, disse esperar que a inflação continue a diminuir, permitindo que o Fed mantenha as taxas inalteradas.
“Sem orientações prospectivas, a decisão de setembro provavelmente continuará sendo uma escolha difícil até o último momento”, escreveu Olu Sonola, chefe de economia dos EUA da Fitch Ratings.
Após o relatório divulgado nesta quarta-feira, traders reforçaram apostas na manutenção das taxas de juros na reunião do Fed de 15 e 16 de setembro, uma perspectiva que já vinha ganhando força na última sexta-feira, depois que um relatório mostrou que a economia perdeu empregos de forma inesperada no mês passado.
No entanto, os operadores ainda precificam uma chance de mais de um em três de um aumento nas taxas no próximo mês, com base nos contratos futuros de fundos do Fed negociados no CME Group, e continuam convencidos de que o Fed precisará aumentar as taxas até o final deste ano para reduzir a inflação, que vem ficando acima da meta há mais de cinco anos.
(Reportagem de Ann Saphir)
Reuters

