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Ministros da UE buscam estratégia unificada para crise dos preços de energia

Ministros da UE buscam estratégia unificada para crise dos preços de energia

Reuters

27/03/2026

Placeholder - loading - Diretor-geral da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol 12/03/2026 REUTERS/Dilara Senkaya
Diretor-geral da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol 12/03/2026 REUTERS/Dilara Senkaya

Por Jan Strupczewski

BRUXELAS, 27 Mar (Reuters) - Os ministros das Finanças da ​União Europeia tentarão coordenar nesta sexta-feira sua resposta à subida dos preços de energia devido à guerra no Irã, assegurando que as medidas ajudem os mais vulneráveis e afastem ainda mais a Europa dos combustíveis fósseis.

Simultaneamente, eles buscarão manter os custos fiscais e a demanda sob controle.

Os preços do petróleo e do gás dispararam desde o início dos ataques conjuntos de EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, criando um choque de preços semelhante à crise energética que a Europa enfrentou após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022. O choque ocorreu mesmo com os países da UE obtendo cada vez mais energia de fontes renováveis.

'A coordenação na UE é essencial para ⁠evitar a fragmentação ⁠do mercado e aproveitar as economias de escala, ​reduzindo assim ‌a necessidade geral de intervenção', afirmou a Comissão Europeia em nota preparatória para as discussões entre os ministros.

Porém, como os governos europeus não sabem quanto tempo durará a interrupção do transporte de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz, eles estão cautelosos em relação ao lançamento de políticas fiscalmente dispendiosas, que podem ⁠em breve se tornar desnecessárias, mas que serão difíceis de reverter.

Os ministros das Finanças da ​UE convidaram o diretor-geral da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol, para informá-los sobre os últimos desenvolvimentos.

'Poderiam ​ser consideradas medidas de curto prazo para aliviar a situação dos ‌consumidores (famílias e indústrias)', afirmou a ​Comissão. 'No ⁠entanto, uma lição fundamental da crise energética de 2022-2023 é que muitas dessas medidas foram amplas e não direcionadas, resultando em ineficiências e custos fiscais muito elevados.'

MELHOR POSIÇÃO, MAS AINDA VULNERÁVEL

A Comissão afirmou que a posição da UE melhorou desde ​2022, uma vez que as fontes renováveis representam agora 48% de sua energia, contra 36% em 2021.

Mas a maioria dos carros e caminhões da Europa ainda funciona a gasolina, e quase 20% do petróleo europeu vem do Golfo Pérsico, região agora praticamente inacessível para o comércio.

Para reduzir o impacto do aumento dos preços do petróleo e do ​gás, a Comissão propôs que os governos, como opção preferencial, apoiassem o rendimento das famílias mais vulneráveis, uma vez que isso não distorceria de forma demasiada os sinais dos preços de mercado.

Eles também poderiam incentivar a economia de energia, com o uso de transporte público, a reforma de moradias e a eficiência energética na indústria.

Os países da UE poderiam ainda reduzir seus impostos sobre a eletricidade, mas essa medida deve ser usada com cautela, pois poderia cortar as receitas orçamentárias em um momento em que a maioria dos países da região já enfrenta dificuldades com dívidas ​elevadas e crescimento relativamente lento.

Por fim, a Comissão afirmou que os governos poderiam considerar intervenções nos preços para consumidores e ‌empresas vulneráveis, na forma de valores diferenciados para ⁠eletricidade ou gás natural.

A vantagem de um sistema em que o preço aumenta com o consumo é que ele proporcionaria alívio financeiro para consumidores e empresas vulneráveis, mantendo ao mesmo tempo o incentivo à economia de ⁠energia.

A Comissão afirmou que quaisquer medidas desse tipo devem incluir uma data ⁠final clara. Elas poderiam ser financiadas pelas receitas do Sistema ⁠de Comércio de Emissões ⁠de ​Carbono, bem como pela tributação de possíveis lucros extraordinários de empresas de energia relacionados aos altos preços.

(Reportagem de Jan Strupczewski)

Reuters

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