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Moscou acusa EUA de chantagem por ameaçar China com sanções por exportação

Moscou acusa EUA de chantagem por ameaçar China com sanções por exportação

Reuters

05/06/2024

Placeholder - loading - Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov 23/05/2024 YURI KOCHETKOV/Pool via REUTERS
Porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov 23/05/2024 YURI KOCHETKOV/Pool via REUTERS

SÃO PETERSBURGO, RÚSSIA (Reuters) - O Kremlin descreveu nesta quarta-feira como 'chantagem' os comentários da secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, de que Washington não toleraria que a China aumentasse suas exportações de bens de “dupla utilização” para a Rússia e que responderia com sanções.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que o tom de Washington era completamente inaceitável e que Moscou era solidária com Pequim.

'Estamos bem cientes de que os nossos camaradas chineses não aceitam tal linguagem, não aceitam tais mensagens e tais ameaças, tais chantagens', disse Peskov aos repórteres.

Os Estados Unidos afirmam que, ao fornecer bens de dupla utilização -- que têm aplicações civis e militares -- a China está impulsionando o esforço de guerra da Rússia na Ucrânia.

“A China é o principal fornecedor de máquinas-ferramentas, microeletrônica, nitrocelulose, que é fundamental para a fabricação de munições e propulsores de foguetes, e outros itens de dupla utilização que Moscou está usando para aumentar sua base industrial de defesa”, disse o secretário de Estado Antony Blinken durante visita a Pequim, em abril.

Já Yellen disse na terça-feira que o Tesouro dos EUA viu um aumento nas exportações chinesas de bens de dupla utilização e estava muito preocupado com isso.

“Fui extremamente clara com os mais altos níveis do governo chinês que isso é algo que não toleraremos e que pretendemos sancionar esta atividade”, disse Yellen.

Peskov afirmou que o poder econômico da China no mundo é tal que 'mesmo os Estados Unidos dificilmente se podem dar ao luxo de falar nesse tom'.

'Talvez nem todos na liderança da América tenham compreendido isso neste momento, mas com o tempo irão compreendê-lo', afirmou. “Sabemos com certeza que os chineses não gostam disso, e somos solidários e consideramos tal tom, tais ameaças inapropriadas”, afirmou.

A Rússia e a China impulsionaram fortemente as transações bilaterais desde o início da guerra na Ucrânia, à medida que o comércio russo com o Ocidente foi dizimado por ondas de sanções. O comércio bilateral atingiu 240,1 bilhões de dólares em 2023, um aumento de 26% em relação ao ano anterior.

(Reportagem de Dmitry Antonov; texto de Mark Trevelyan e Lucy Papachristou)

Reuters

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